Família recusa vender sítio no Ceará com suspeita de petróleo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A família do agricultor Sidrônio Moreira, localizada no Sertão do Ceará, anunciou que não pretende vender o sítio após a descoberta acidental de uma substância escura e viscosa, com características semelhantes às de petróleo. O filho de Sidrônio, Saullo Santiago, informou que a propriedade tem recebido diversas propostas de compra, mesmo que não oficiais.

Um dos principais motivos para a recusa da família é o valor histórico da propriedade, conhecida como Sítio Baixa do Juazeiro ou Santo Estevão, que possui 49 hectares e foi herdada por Sidrônio de seu pai. A família vive no local há cerca de 20 anos, consolidando sua história de vida.

A família também optou por aguardar o desenrolar da situação antes de tomar qualquer decisão. Após notificação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em julho de 2025, técnicos visitaram o local apenas em 2026 para coletar amostras. Saullo expressou receio de que novas perfurações possam resultar na descoberta do líquido novamente, em vez da água, como inicialmente esperado.

Embora a substância tenha sido encontrada durante a perfuração de poços artesianos em propriedade privada, a legislação brasileira estabelece que recursos minerais e depósitos de hidrocarbonetos pertencem exclusivamente à União. A Lei nº 9.478/1997 determina que a exploração de petróleo e gás natural é um monopólio do Estado ou de empresas autorizadas.

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O agricultor não detém a posse do material encontrado no Sítio Santo Estevão. O IFCE (Instituto Federal do Ceará), que realizou análises preliminares indicando a presença de hidrocarbonetos, já orientou a família sobre os procedimentos legais e comunicou o caso à ANP. Apesar de não poder comercializar o óleo, a lei garante uma compensação ao proprietário caso a exploração comercial seja viabilizada, com uma participação que varia entre 0,5% e 1% do valor da produção.

Atualmente, a ocorrência em Tabuleiro do Norte é tratada com cautela pelas autoridades. O IFCE ressalta que os testes são preliminares e não confirmam a existência de uma jazida economicamente viável, além de a área não integrar os blocos autorizados para exploração pela ANP.

A perfuração do terreno foi iniciada após o agricultor contratar um empréstimo de R$ 15 mil, com a intenção de encontrar água para a propriedade. A família vive em uma área atendida por uma adutora, mas o abastecimento chega com baixa vazão e quase sem pressão. A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando o agricultor decidiu perfurar o solo. Durante a escavação, surgiu um material escuro, viscoso e com odor característico, levando à interrupção dos trabalhos. Foram abertos dois poços, e em ambos o líquido apareceu antes que o lençol freático fosse atingido. As investigações sobre o caso seguem em andamento, e as chuvas recentes na região aliviaram temporariamente a situação do abastecimento de água na propriedade.

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