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Saúde

Farmácia clandestina em Campinas é suspeita de distribuir medicamentos ilegais

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 16:36
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Uma farmácia de manipulação clandestina localizada na Av. Dr. Moraes Salles, no Cambuí, em Campinas (SP), é suspeita de ter distribuído medicamentos ilegais para outras cidades e pela internet. O indício foi levantado pelo delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Marcel Fehr, durante coletiva nesta quarta-feira (18).

A suspeita da Polícia Civil é baseada em uma meta do estabelecimento de produzir 50 mil cápsulas por dia, volume que não ficaria restrito à venda apenas na farmácia vizinha. “Nós encontramos documentos que davam conta da produção de 50 mil cápsulas por dia. Eles anotavam conforme os medicamentos eram produzidos. Então, veja quantos comprimidos eles produziam por mês. Certamente não era para abastecer só essa farmácia [vizinha]. Muito provavelmente eles distribuíam para outros estabelecimentos e também comércio digital”, disse Fehr.

Durante a ação conjunta com a Vigilância Sanitária, foram apreendidas cerca de três toneladas de matéria-prima, que custariam R$ 940 mil. Três pessoas foram presas, sendo dois operadores de máquinas e um farmacêutico apontado como responsável legal pela produção clandestina e por uma farmácia vizinha.

O delegado ainda afirmou que há indícios de existência de uma organização criminosa atuando no segmento de medicamentos manipulados, já que outras etapas da produção não eram realizadas na farmácia clandestina. “Ali era apenas a fábrica. Eles mandavam para fazer a embalagem e posteriormente a distribuição em algum outro local”, explicou.

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A ação foi motivada por uma denúncia anônima à Vigilância Sanitária de Campinas. No local, os agentes encontraram uma farmácia e, ao lado, um portão que dava acesso a um anexo, cuja fachada tinha uma placa que indicava ser uma clínica de estética. Segundo Fehr, a farmácia vizinha tinha funcionamento regular, tendo como farmacêutico responsável o mesmo da produção clandestina, que acontecia nesse anexo sem qualquer alvará ou autorização.

“Feita a abertura do imóvel, inclusive pelo poder que a fiscalização da Vigilância Sanitária tem, encontramos essa fábrica clandestina de medicamentos com duas pessoas operando no momento da incursão, além do responsável técnico, que é um farmacêutico”, contou. O local produzia remédios para controle e alívio de dor, digestão, vitaminas e suplementos alimentares, incluindo a cafeína anidra, que necessita de aprovação da Polícia Federal.

De acordo com a Prefeitura de Campinas, a fábrica operava de forma irregular, sem alvará, colocando em risco a saúde da população. Funcionários disseram aos agentes de fiscalização que o laboratório clandestino funcionava há pelo menos um ano. No espaço, foram encontrados produtos mantidos em condições inadequadas, sem controle de temperatura e higiene, além de máquinas industriais usadas para produção em grande escala em más condições de limpeza.

A Vigilância constatou irregularidades na dosagem dos medicamentos, com diferenças de gramatura. As irregularidades incluem funcionamento sem licença sanitária, ausência de responsável técnico habilitado, manipulação de substâncias controladas sem autorização e descumprimento das boas práticas de manipulação exigidas pela legislação.

A Vigilância também apontou que o laboratório clandestino utilizava a licença da farmácia vizinha, a Biostévi Pharma, para abastecer a operação irregular, configurando uso fraudulento de documentação sanitária. O responsável terá prazo de 10 dias para apresentação de defesa no processo administrativo sanitário.

A Biostévi Pharma afirmou que possui Licença Sanitária e Alvará de Funcionamento, e que as matérias-primas presentes no estabelecimento possuem laudos técnicos, certificados de qualidade e comprovação de origem. A empresa disse que qualquer adequação necessária será feita prontamente, assim que forem formalmente orientados pela Vigilância Sanitária.

TAGGED:Av. Dr. Moraes Salles, CambuíBiostévi PharmaCampinasfarmácia clandestinaMarcel Fehrmedicamentos ilegaisPolícia CivilSão Paulovigilância sanitária
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