O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. A decisão foi anunciada na quarta-feira, 18 de março de 2026, e estava em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Esta é a segunda reunião consecutiva em que o Fed mantém a taxa no mesmo nível. Em 28 de janeiro, o banco central interrompeu um ciclo de três cortes seguidos, citando incertezas nas perspectivas econômicas. A guerra no Oriente Médio e a alta dos preços do petróleo no mercado global influenciaram significativamente essa decisão.
A principal preocupação do Fed é o impacto da guerra sobre a inflação nos Estados Unidos. Com as taxas de juros em níveis historicamente elevados, há pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça alta por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
A decisão de manter os juros foi a décima desde que Donald Trump assumiu a presidência dos EUA em 20 de janeiro de 2025. Desde sua posse, ocorreram três cortes de juros, em meio a um cenário econômico incerto, com conflitos geopolíticos e a guerra tarifária promovida pelo republicano.
Com o início da guerra em 28 de fevereiro, o preço do petróleo disparou, chegando a US$ 120, o maior valor desde 2022, embora tenha recuado para cerca de US$ 100. Trump busca formas de conter a alta do petróleo, atento ao impacto no bolso dos eleitores e às eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, é um fator central na alta dos preços. O Irã anunciou o bloqueio e ataques a petroleiros, resultando em uma queda no tráfego de navios na região. Trump pediu apoio de outros países para monitorar a passagem, mas a solicitação foi rejeitada por aliados europeus e asiáticos.
““Nós não precisamos deles [países da Otan], mas eles deveriam ter ajudado. Estão cometendo um erro muito tolo”, declarou Trump.”
O presidente dos EUA também afirmou que o Fed deveria realizar uma “reunião especial” para reduzir as taxas “imediatamente”. Essa declaração ocorreu após um juiz federal bloquear intimações contra Jerome Powell, atual presidente do Fed, em uma disputa judicial relacionada à sua atuação.
Trump é um crítico frequente de Powell, cujo mandato se encerra em maio. O republicano indicou o economista Kevin Warsh para substituí-lo, e a nomeação ainda precisa ser aprovada pelo Senado.
Os juros elevados nos EUA mantêm os rendimentos das Treasuries em níveis atraentes, atraindo investidores estrangeiros e fortalecendo o dólar. Isso pode reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação ao dólar e aumentando a pressão sobre a inflação no país.


