O Banco Central dos Estados Unidos, conhecido como Federal Reserve (Fed), decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75%. O comunicado foi divulgado nesta quarta-feira, 18, pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
A decisão estava em linha com as expectativas do mercado, que aguardava a manutenção dos juros, conforme o consenso do CME Group. Essa decisão ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, considerada por analistas do setor petroleiro como a maior crise energética do século XXI.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel, uma região que é responsável por escoar cerca de 20% da produção global de petróleo. Além disso, o Irã tem atacado bases petrolíferas de países vizinhos, como a Arábia Saudita.
Como resultado, o preço do petróleo disparou 55% desde o início do conflito, passando de cerca de 70,75 dólares para 109 dólares por barril. Esse aumento gerou preocupações sobre pressões inflacionárias, levando investidores a revisar suas expectativas sobre o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed.
Após a última decisão do FOMC, no fim de janeiro, cerca de 60% do mercado precificava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião marcada para 17 de junho de 2026. A maioria dos especialistas previa uma redução total de 0,5 ponto percentual ao longo do ano, com a taxa encerrando 2026 entre 3% e 3,25% ao ano, segundo dados da plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago.
No entanto, o cenário mudou. Por volta das 14h desta quarta-feira, antes da decisão, o FedWatch mostrava uma divisão nas expectativas: cerca de 39,6% dos investidores esperavam a manutenção dos juros no nível atual até o fim de 2026, enquanto 40,1% projetavam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 de dezembro. Nesse último caso, a taxa encerraria o ano entre 3,25% e 3,5% ao ano.
Assim, a decisão do Fed ocorre em um momento de incerteza sobre o nível dos juros ao final de 2026. O mercado agora oscila entre um intervalo de 3,25% a 3,5% e a manutenção entre 3,5% e 3,75%, superando a projeção predominante em janeiro, que indicava queda para 3% a 3,25% ao ano.
Em resumo, o avanço do petróleo e o risco inflacionário levaram à revisão para cima das expectativas para os juros americanos.


