O número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou 96,4% em 2025, na comparação com 2021. No ano passado, foram registradas 270 mortes, em contraste com 136 vítimas em 2021. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e foram divulgados nesta quarta-feira (4) de março de 2026.
Considerando os estados da Região Sudeste, 41% das mortes por feminicídio ocorreram em São Paulo. A diretora executiva do FBSP, Samira Bueno, ressaltou a preocupação com a violência contra a mulher no estado. “O caso de São Paulo chama mais atenção pelo fato de ser um número muito grande em termos quantitativos, de 136 feminicídios para 270. Praticamente duplicou em 4 anos o número de feminicídios aqui no estado,” afirmou.
Em todo o país, o número de vítimas de feminicídio cresceu 14,5% no mesmo período de comparação, totalizando 1.568 mulheres vítimas em 2025. Em 2022, a alta havia sido de 7,6%. Em 2023 e 2024, o crescimento ficou próximo de 1% ao ano. Em 2025, observou-se um novo salto de 4,7%.
O FBSP avalia que o aumento da violência doméstica em contextos privados é um fator importante no crescimento dos feminicídios, e que a violência não é sensível a políticas de segurança pública tradicionais.
Dos casos com informação disponível, 148 mulheres (13,1%) tinham Medida Protetiva de Urgência quando foram assassinadas. A análise considera 1.127 feminicídios em 16 estados.
Segundo Samira Bueno, a concessão da medida protetiva não tem sido suficiente para impedir a letalidade em muitos casos. “As forças de segurança falharam em proteger essas mulheres [que tinham medida protetiva] nesses casos. Então o problema não é a lei, o problema é que a gente muitas vezes não tem os recursos necessários para que as forças de segurança façam esse trabalho.”
A diretora executiva do FBSP enfatizou que, embora o Brasil possua uma legislação avançada de proteção à mulher, a solução não está na mudança de leis, mas em sua implementação. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos.
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“Feminicídios aumentaram 96,4% em São Paulo entre 2021 e 2025.

