Filho de Khamenei não promoverá mudanças no Irã, afirma especialista

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A confirmação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã indica uma política de continuidade do regime islâmico, sem perspectivas de mudanças estruturais, conforme avalia Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Economia da FAAP e Relações Internacionais da FGV.

Segundo o especialista, a escolha do filho de Ali Khamenei representa uma mensagem clara de estabilidade para os setores mais conservadores do regime.

““A sinalização, com a escolha do filho do Khamenei, é justamente de continuidade, ou seja, não aquilo que Trump pretende”,”

afirmou Vieira, referindo-se às recentes declarações do político americano sobre o Irã.

Embora possa haver alguma inflexão na condução política interna, principalmente para acalmar protestos populares motivados por questões econômicas e de costumes, Vieira destaca que os princípios fundamentais da política externa iraniana permanecerão inalterados.

““Os princípios que dizem respeito à política externa, ou seja, ver os Estados Unidos ali como um inimigo e Israel, vão permanecer inegociáveis”,”

ressaltou.

O professor explica que a prioridade do novo líder supremo será manter o regime coeso em meio aos conflitos regionais.

““Acho que a prioridade é manter o regime coeso e, posteriormente, sim, havendo a passagem da guerra eventualmente, encerrar esse conflito o mais rapidamente possível”,”

analisou.

Vieira também abordou a possibilidade de desestabilização do regime iraniano frente aos ataques americanos. Apesar da fragilidade, a República Islâmica possui mecanismos de resistência, incluindo a Guarda Revolucionária e equipamentos militares como drones, que têm um custo relativamente baixo de operação.

Outro ponto destacado foi a diversidade étnica do Irã, que poderia ser explorada pelos Estados Unidos para fomentar grupos separatistas dentro do país.

““O Irã não é único em termos étnicos. Temos, por exemplo, os curdos, que até hoje, também presentes na Turquia, no Iraque, com parte na Síria, querem formar o seu próprio Estado-nação”,”

explicou Vieira.

O professor alerta que mesmo que a República Islâmica venha a cair, o resultado mais provável seria uma guerra civil, mantendo a região do Oriente Médio em estado de instabilidade por longo período.

““Ainda que a República Islâmica caia, é importante dizer que o Oriente Médio, aquela região, ainda vai permanecer instável por muito tempo”,”

concluiu.

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