No mês da mulher, o curta-metragem ‘Braga’, escrito e dirigido por Nicole Kate, artista de 23 anos de Uberlândia, aborda a violência doméstica no Brasil. O filme, que nasceu de um poema de 2023, expõe as marcas deixadas por quem sofre dentro de casa.
A pré-estreia do filme ocorreu em Uberlândia e foi o primeiro contato do público com a obra, que ainda está em processo de lapidação. A próxima exibição está marcada para o dia 24 de março, às 19h, no Cinema da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no bairro Santa Mônica. Os ingressos gratuitos podem ser retirados pelo Sympla.
Nicole Kate afirmou: “O que o público viu é um processo de maturação que ainda não está em seu processo final, porque ainda tem espaço para enriquecê-lo.” O curta, que tem 16 minutos de duração, acompanha o casal Marta e Braga, interpretados pelos atores Maluh Pereira e Carlos Henrique, que vivem uma relação marcada por abusos e silêncios.
A diretora enfatiza a importância de priorizar protagonistas negros em suas obras, afirmando que é fundamental reparar ausências históricas e garantir que a população negra se veja refletida nas telas. “A Marta precisa provar para si mesma que tem o direito de se sentir segura. Mas o trauma a coloca em um ciclo”, disse.
O filme também aborda a violência doméstica em sua dimensão mais ampla, que atinge homens, crianças e idosos. Nicole destacou que a vulnerabilidade do idoso é semelhante à da criança, e que é preciso dar perspectiva e mostrar que nunca é tarde para reinventar a realidade.
“A reinvenção da Marta está no lugar do que acontece em diversas casas quando falamos de relações abusivas. Você precisa, muitas vezes, reinventar uma realidade que ainda não existe ali”, explicou a diretora.
Nicole Kate, que encontrou sua voz artística no movimento Slam, descreve o processo de criação de ‘Braga’ como um fluxo intenso e quase espiritual. A produção do curta foi realizada com uma equipe qualificada e viabilizada por leis de incentivo à cultura estaduais.
“Braga” representa um gesto de resistência e reafirma que a imagem tem poder de formar opinião e abrir caminhos. Nicole se mantém firme em seu propósito de equilibrar o sonho com a realidade, sem romantizar as dificuldades.


