Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, referências à cultura popular têm sido amplamente utilizadas nas postagens da Casa Branca e na mídia iraniana.
Vídeos dos canais oficiais do governo americano incorporam trechos de videogames com imagens reais de bombardeios. Por outro lado, a mídia estatal do Irã cria animações inspiradas em filmes infantis, como uma animação baseada no filme Divertida Mente, da Disney e da Pixar, que retrata um cenário em que Teerã vence a guerra.
Esse vídeo, aparentemente gerado por inteligência artificial, foi veiculado pelos canais iranianos e mostra personagens malignos controlando a mente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Outra animação, divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, usou o estilo Lego para culpar os americanos pelo ataque a uma escola primária no Irã.
A Casa Branca também tem utilizado trechos de jogos como Call of Duty, GTA e Wii Sports em vídeos que mostram os ataques dos Estados Unidos a alvos iranianos. Cenas do desenho Bob Esponja e de filmes como Star Wars também foram misturadas com vídeos de ataques das forças americanas. Essas publicações viralizaram nas redes sociais, alcançando milhões de visualizações.
O analista de segurança Cel. Alessandro Visacro observa que as guerras tendem a impulsionar o desenvolvimento tecnológico, tanto em armamentos quanto em comunicação. Ele destaca que o avanço tecnológico será cada vez mais explorado para fortalecer narrativas políticas, especialmente em conflitos armados.
O especialista em cibersegurança e guerra memética Tine Munk, da Nottingham Trent University, analisa como memes e elementos da cultura pop foram utilizados durante a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Munk afirma que os memes podem mobilizar apoiadores, ridicularizar oponentes e manipular a opinião pública com baixo custo de produção.
O professor de Relações Internacionais da FAAP-SP, Victor Grinberg, ressalta que o uso de memes e referências pop torna a proposta de guerra mais acessível ao público. Ele acredita que essa estratégia ajuda a justificar a participação dos Estados Unidos no conflito com o Irã.
Visacro e Grinberg concordam que tanto o Irã quanto os Estados Unidos buscam reafirmar suas narrativas por meio de conteúdos acessíveis e virais, utilizando uma linguagem familiar ao público digital. Essa abordagem cria uma barreira psicológica que facilita a aceitação das mensagens políticas, mesmo em meio à dura realidade da guerra.


