A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do Grupo Pão de Açúcar (GPA) de “CCC (bra)” para “C (bra)” nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, após a companhia anunciar um pedido de recuperação extrajudicial no dia anterior.
O plano de recuperação abrange obrigações de pagamento sem garantia, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões, que não são consideradas obrigações correntes ou operacionais da empresa, conforme comunicado do varejista.
Os analistas Renato Donatti, Pedro González e Alberto Moreno Arnaiz explicaram que o rebaixamento se deve à “queima elevada de caixa decorrente” da situação financeira do GPA. Essa condição é agravada por pagamentos de juros que não são compatíveis com a geração de caixa da empresa, além de saídas de recursos relacionadas a contingências tributárias e trabalhistas.
A Fitch destacou que a flexibilidade financeira do GPA piorou significativamente e que a empresa não possui alternativas além da reestruturação das dívidas com os credores. A agência também alertou sobre os riscos consideráveis de refinanciamento, com cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo em 2026.
Além disso, a Fitch afirmou ter visibilidade limitada sobre a estrutura futura das dívidas e os custos de refinanciamento. A nota de crédito do GPA poderá sofrer um novo corte para “RD” (inadimplência restrita) se o plano de reestruturação for assinado, o que a Fitch considera um evento de calote.
Poucas horas após o rebaixamento, o GPA informou ao mercado que o pedido de recuperação extrajudicial foi aceito pela justiça. Em um cenário mais pessimista, a nota da companhia poderá ser reduzida para ‘D’, caso a empresa não tenha sucesso nas negociações e precise entrar com um pedido de recuperação judicial.


