O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter vetado a visita de Darren Beattie, assessor do ex-presidente dos EUA Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A decisão de Moraes ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil alertar sobre o risco de ingerência dos EUA nas eleições presidenciais de 2026.
Flávio Bolsonaro afirmou que Moraes está “arrumando confusão com os Estados Unidos” e mencionou que isso pode ter consequências negativas para o Brasil. Ele se referiu ao tarifaço de 50% imposto por Trump ao Brasil em 2025, após articulações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. “Moraes é tóxico, afundou a imagem do Judiciário e, agora, está criando um problema master para o Brasil”, disse o senador.
O veto à visita de Beattie foi anunciado na quinta-feira, 12 de março. A visita havia sido autorizada anteriormente para ocorrer no dia 18 de março, mas Moraes pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores antes de reverter sua decisão. O ministro alegou que a visita não se enquadrava em compromissos diplomáticos, uma vez que Beattie não tinha encontros agendados no Brasil.
A defesa de Jair Bolsonaro argumentou que a visita de Beattie tinha como objetivo agendas diplomáticas, mas o Ministério das Relações Exteriores informou que a única atividade prevista era um fórum sobre minerais críticos em São Paulo. Moraes destacou que a concessão do visto de Beattie foi baseada em justificativas que não se sustentavam.
“A realização da visita de Darren Beattie, requerida pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto”, afirmou Moraes em sua decisão. Ele também mencionou que a visita não foi comunicada previamente às autoridades diplomáticas brasileiras, o que poderia levar à reanálise do visto concedido.
Darren Beattie é assessor de políticas brasileiras do Departamento de Estado Americano e é conhecido por suas críticas ao governo brasileiro e a Moraes, a quem já chamou de “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”. O chanceler brasileiro Mauro Vieira expressou preocupação com a visita, indicando um possível risco de ingerência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.


