O cenário político no Paraná mudou nesta quarta-feira, 18, com o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que não seguirá mais alinhado ao grupo do governador Ratinho Júnior (PSD). A decisão abre espaço para uma aliança com o senador Sergio Moro (UB-PR), que busca consolidar sua candidatura ao governo estadual.
A movimentação foi resultado de uma reunião em Brasília entre Moro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O encontro, descrito como pragmático, sinalizou apoio da legenda à candidatura de Moro, mesmo que o senador ainda não tenha oficializado sua filiação ao partido.
Em troca do apoio, Moro se comprometeu a oferecer palanque para Flávio no Paraná, um estado considerado estratégico para a campanha presidencial do PL. Nos bastidores, aliados de Flávio relatam que a ruptura com Ratinho Júnior ocorreu após o governador resistir a abrir mão de uma candidatura presidencial própria pelo PSD.
O PL chegou a considerar apoiar Guto Silva (PSD) ao governo estadual como parte de um acordo, mas a negativa de Ratinho foi vista como uma tentativa de ganhar tempo, sem oferecer garantias concretas. Enquanto isso, Moro enfrenta dificuldades internas no União Brasil, partido que está negociando uma federação com o PP.
Setores da futura aliança resistem em conceder legenda ao senador, especialmente devido à oposição do deputado Ricardo Barros (PP-PR), adversário político de Moro. A insegurança dentro da sigla levou o parlamentar a avaliar sua saída e a possibilidade de migrar para o PL.
Apesar das indefinições, dirigentes do União Brasil ainda tentam manter Moro em seus quadros, destacando sua competitividade eleitoral e o potencial de fortalecer a bancada no Congresso. Novas conversas entre Moro e a cúpula da legenda estão previstas para hoje.
O impasse entre PL e PSD, somado às articulações de Moro, evidencia a disputa por alianças estratégicas no Sul do país. A decisão de Flávio Bolsonaro de apoiar Moro representa um realinhamento importante e pressiona Ratinho Júnior, que continua como nome cotado para representar o PSD na corrida presidencial.


