A Space One, empresa japonesa de desenvolvimento espacial, anunciou que seu foguete Kairos se autodestruiu 69 segundos após a decolagem nesta quinta-feira (5). Este foi o terceiro fracasso consecutivo na tentativa de lançar um satélite totalmente comercial do Japão.
O incidente ocorreu três meses após uma falha em um lançamento de um foguete estatal. O voo malsucedido representa um novo revés para os esforços do Japão em criar opções de lançamento domésticas e diminuir a dependência de foguetes americanos, especialmente em um contexto de crescente necessidade de segurança espacial em relação à China.
O Kairos, um foguete de propelente sólido com 18 metros de altura, transportava cinco satélites experimentais, incluindo alguns da ArkEdge Space, de Tóquio, e da Agência Espacial de Taiwan. O foguete encerrou seu voo automaticamente a uma altitude de 29 km acima do Pacífico.
““Nenhuma anormalidade significativa foi encontrada no voo ou nos equipamentos de bordo””
disse Nobuhiro Sekino, vice-presidente da Space One, em coletiva de imprensa, indicando que o sistema autônomo de terminação de voo do foguete apresentou uma falha.
Imagens ao vivo mostraram o Kairos voando em uma trajetória instável dois minutos após decolar da plataforma de lançamento privada da empresa, localizada na ponta da península de Kii, no oeste do Japão. A Space One, uma joint venture apoiada por empresas como Canon, IHI e Shimizu, já havia falhado em dois lançamentos do foguete Kairos em 2024.
O Japão enfrenta uma escassez de veículos de lançamento de fabricação nacional, apesar das crescentes necessidades de defesa e das oportunidades de negócios para fabricantes de satélites. Em 2025, o Japão conseguiu realizar apenas três lançamentos de foguetes, muito abaixo da meta anual de 30 lançamentos prevista para o início da década de 2030.
Em dezembro, o sexto voo fracassado do foguete H3, financiado pelo Estado e construído pela Mitsubishi Heavy Industries, interrompeu ainda mais o cronograma de lançamentos. As empresas de satélites têm buscado alternativas em opções americanas, como a SpaceX e a Rocket Lab, para compartilhamento de lançamentos.

