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Economia

Gasolina pode ficar mais cara no Brasil devido à alta do petróleo

Amanda Rocha
Última atualização: 9 de março de 2026 12:40
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Após os ataques no Irã por parte dos Estados Unidos e Israel, os preços do petróleo dispararam, impactando os mercados globais. O petróleo subiu 35% na última semana de conflito e 103% em comparação a dezembro de 2025. As bolsas asiáticas caíram quase 6%, enquanto a Europa enfrenta uma queda significativa nesta segunda-feira (9).

No Brasil, a principal dúvida é se essa alta externa resultará em um aumento nos preços da gasolina. André Braz, economista e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o impacto nos combustíveis será sentido, especialmente se o conflito se prolongar. Ele destaca que a inflação pode subir não apenas nos combustíveis, mas também em outros setores de exportação, como agricultura e aviação.

““Os derivados do petróleo vão muito além dos combustíveis. A agricultura sofre com os adubos e fertilizantes. A aviação entra na conta devido ao querosene de aviação”, explica Braz.”

Braz também acredita que o Brasil pode se destacar ainda mais no mercado de petróleo, pois a exportação aumentada traz mais dólares e melhora a balança comercial. No entanto, ele alerta que a dependência de derivados que não são produzidos no país pode resultar em preços mais altos para esses produtos importados.

Por outro lado, Spinola, especialista, vê um aspecto positivo na situação. Com a alta dos preços, a Petrobras pode realizar um reajuste, o que aumentaria sua receita e, consequentemente, os dividendos pagos ao governo.

““Com uma receita maior da petroleira, a empresa pagaria mais dividendos para os seus acionistas e o maior beneficiado seria o próprio governo com uma receita maior”, avalia.”

A expectativa é que, com um reajuste de até US$ 10, a receita da Petrobras aumente entre US$ 12 e US$ 15 bilhões, podendo ser direcionada a outras áreas de investimento. Spinola ressalta que a decisão do governo será entre repassar os custos, aumentando a receita, ou não repassar, controlando a inflação.

O mercado brasileiro aguarda um corte na Selic, que permanece em 15% desde julho de 2025. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência subiu para 5,5% em janeiro, o maior nível desde agosto de 2017. Além disso, o agronegócio registrou um aumento de 56,4% nas solicitações de recuperação judicial em 2025.

Especialistas alertam que, se o conflito não se resolver e os preços do petróleo permanecerem altos, os combustíveis terão que ser reajustados, impactando a inflação e as decisões sobre a taxa de juros no Brasil. Gustavo Cruz, analista da RB Investimentos, afirma que os bancos centrais podem rever suas projeções de juros devido aos altos preços do petróleo.

““A leitura é que, com esses preços de petróleo bem mais altos, os bancos centrais revisem suas projeções de juros”, explica Cruz.”

Ele acredita que, se as tensões persistirem, o Banco Central pode realizar um corte mínimo, em vez do esperado de meio ponto. A alta taxa de juros desincentiva investimentos, tanto para empresas quanto para pessoas físicas, que preferem aplicar em renda fixa.

TAGGED:André BrazBanco Central do BrasilCommoditiesFundação Getúlio VargasGustavo CruzInflaçãoMacroeconomiaPetrobrasPetróleoPolítica monetáriaSerasa ExperianSpinola
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