A Geração Z, composta por jovens nascidos entre 1995 e 2010, se reuniu para discutir os papéis de gênero e os desafios para superar o machismo. O encontro ocorreu no Porto Digital, no centro do Recife, e faz parte da série especial “Marcas”.
Durante a conversa, os participantes foram convidados a definir o que entendem por masculino e feminino. As opiniões variaram. A analista de dados Milena Melo associou o masculino ao controle e o feminino à escuta. O estudante Américo Pereira definiu o masculino como proteção e o feminino como amor. O engenheiro de dados Juan Oliveira relacionou o masculino à ideia de provedor e o feminino ao cuidado. A analista de controladoria Ivanise Lima resumiu: “Ser homem, masculino para mim, é base. E feminino é resiliência.”
A analista de marketing Geovana Beltrão compartilhou que cresceu sem a presença do pai, tendo a mãe como sua principal referência. “Meu pai foi ausente durante toda a criação minha e do meu irmão. Para mim, o feminino é garra, porque eu vi ela trabalhando e se virando em dois para manter a gente”, afirmou.
A socióloga Carmen Silva destacou que as diferenças entre homens e mulheres não são naturais, mas construídas socialmente. Segundo ela, os conceitos de masculino e feminino estão relacionados à educação e ao papel que cada gênero ocupa na sociedade. “O conceito masculino e feminino é uma construção social que tem a ver com a forma como nós mulheres e os homens são educados”, explicou.
A estudante Morgana Barbosa relatou viver uma dualidade imposta entre o feminino e o masculino. “Eu não podia agir como uma, não podia fazer nada que me lembrasse, porque as pessoas teoricamente queriam me proteger de ofensas”, disse. Muitas mulheres presentes relataram experiências de medo e desigualdade, como a professora de informática Dayanne Souza, que mencionou o assédio comum desde a adolescência.
A estagiária Emilly Dantas comentou que já ouviu que certas atividades eram apenas para homens. “Falavam que eu era mais fraca por ser mulher, que não poderia fazer certas coisas”, contou. Apesar das mudanças nas últimas décadas, algumas mulheres ainda sentem a necessidade de provar sua capacidade. Milena Melo afirmou que muitas enfrentam a síndrome do impostor ao se candidatar a vagas de trabalho.
A estagiária Maíra Lourenço destacou a importância da troca entre mulheres como fator de fortalecimento. “Quando a gente fala de se proteger, de se reerguer, de se inserir nos locais, a gente encontra isso só com outras mulheres”, afirmou. Carmen Silva concluiu que a geração atual cresceu em um contexto de maior debate sobre igualdade de gênero, e que as conquistas do movimento feminista aumentaram a autoconfiança das mulheres jovens.


