O Goldman Sachs divulgou um relatório nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, que aponta reflexos significativos do choque de preço do petróleo na economia da América Latina. O estudo destaca que a região enfrentará inflação e taxas de juros mais altas.
No Brasil, a estimativa de inflação foi elevada em 0,3 ponto percentual, alcançando 4,4%. O banco também prevê que o Banco Central do Brasil inicie um ciclo de queda dos juros com um corte cauteloso de 0,25 ponto percentual na Selic, embora a taxa básica de juros deva chegar a 12,5% ao ano até o final de 2026.
Os bancos centrais do Chile e do México também devem realizar ajustes mais suaves em suas políticas monetárias. O relatório ressalta que o impacto do choque do petróleo não será uniforme na região, dependendo da balança comercial de cada país.
Os analistas do Goldman Sachs afirmam que o conflito geopolítico global e o choque do petróleo resultaram em maior volatilidade e incerteza nos mercados, além de condições financeiras globais mais restritivas. “No geral, o dólar se fortaleceu em relação às moedas de mercados emergentes, incluindo as da América Latina, e as taxas de juros subiram”, afirmam.
Considerando que o Brasil é um dos grandes exportadores de petróleo, o país pode se beneficiar de preços mais altos da commodity. O Goldman Sachs elevou suas estimativas para o PIB brasileiro em 0,2 ponto percentual, para 2%. Em contrapartida, importadores como Chile, México e Peru devem enfrentar um crescimento mais modesto do que o esperado anteriormente.
O relatório também aponta que as variações nos preços do petróleo afetam diretamente a balança comercial. Um aumento de 10% nos preços do petróleo pode levar a um aumento na balança comercial de 0,1% a 0,2% do PIB na Argentina, Brasil, Colômbia e Equador, com a Colômbia no limite superior da faixa. Por outro lado, o mesmo choque pode ampliar o déficit da balança energética em cerca de 0,4% do PIB no Chile, 0,2% no México e 0,1% no Peru.
Além disso, o Goldman Sachs destaca que as receitas de petróleo podem ajudar as contas públicas brasileiras. Para mitigar os impactos, o banco prevê que o governo cortará impostos sobre combustíveis, conforme anunciado anteriormente para a importação de diesel, e que a Petrobras deve manter os preços abaixo da paridade internacional por um período.
A instituição também elevou suas estimativas para os preços do petróleo em 2026, considerando três cenários possíveis, todos relacionados ao tempo em que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado: no cenário-base, uma interrupção de 21 dias resultaria em um preço de fechamento do petróleo em US$ 77; 30 dias, US$ 82; e 60 dias, US$ 105.


