A Polícia Civil de São Paulo investiga um golpe conhecido como “falso valet”, onde criminosos criam um estacionamento clandestino para enganar motoristas e furtar veículos. Sete pessoas já registraram queixa sobre o crime.
Uma das vítimas, a analista de RH Alessandra Bellido, relatou: “Gente, eu não tô acreditando que eu dei a chave pro ladrão!”. Ela afirmou que não desconfiou da situação e entregou a chave a um homem que parecia trabalhar no estacionamento. “Eu parei o carro num local que, teoricamente, é o estacionamento perfeito, né? Com guichê, com manobrista, com tudo”, contou.
Outra vítima mencionou que o movimento no local dava uma aparência de normalidade. “Estava bem cheio, tinha uma placa de ‘Aluga-se’ na entrada. E aí eu estacionei e falei: ‘Meu, vou ter que deixar a chave, né?’”. No entanto, ao retornar, o local estava vazio. Alessandra descreveu a cena: “Era como se tivessem montado um circo e desmontado. Tudo que tinha antes não tinha mais”.
De acordo com o delegado Marcus Vinícius Reis, o terreno utilizado pelos criminosos foi invadido. “Esse terreno estava cercado, mas os criminosos cortaram a cerca de arame”. Imagens de câmeras de monitoramento mostram a ação da quadrilha. Por volta das 16h30, um homem corta a cerca e outros se posicionam na calçada, fazendo sinais para os motoristas, se passando por flanelinhas.
Os motoristas, acreditando que se tratava de um estacionamento regular, deixaram seus veículos no local. “As vítimas, pensando que se tratava de um estacionamento legal, regular, deixaram os veículos nesse local”, explicou o delegado. Após a entrega das chaves, os criminosos entravam nos carros, vasculhavam o interior e os levavam.
O delegado afirmou que cerca de 10 a 12 criminosos participaram do esquema. A polícia conseguiu rastrear o caminho dos veículos, e dois deles foram encontrados em um desmanche clandestino no extremo leste da capital, que já havia sido alvo de investigação em 2023. “O desmanche dos veículos foi muito rápido. Então, nos dá a entender que foi algo encomendado”, disse o delegado.
A investigação levou à identificação de um suspeito, Kléber de Oliveira Silva, de 40 anos, que já possui três antecedentes por golpes semelhantes. O delegado informou que Kléber usou a conta da irmã para receber pagamentos do falso estacionamento, mas a polícia descartou o envolvimento dela no crime.
A defesa de Kléber afirmou em nota que ainda não teve acesso ao inquérito. Dos sete veículos levados pela quadrilha, dois foram recuperados e três continuam desaparecidos. A polícia orienta os motoristas a verificarem a regularidade dos estacionamentos antes de deixar seus carros. “As vítimas devem verificar se esse estacionamento é regular, se ele emite nota fiscal, se tem seguro”, alertou o delegado.
Para quem foi enganado, o prejuízo vai além do financeiro. “Você vai num lugar teoricamente seguro, e ainda tem essa hoje: saber qual estacionamento é devido? Qual é íntegro e qual não é?”, concluiu uma das vítimas.

