Golpistas criam delegacia falsa da Polícia Federal em cassino no Camboja

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Um complexo de cassinos na fronteira entre Camboja e Tailândia abrigava uma central de golpes online que incluía uma delegacia falsa da Polícia Federal brasileira, conforme revelaram autoridades tailandesas no início de fevereiro.

A instalação está localizada na cidade de O’Smach, no norte do Camboja, que foi tomada pelo Exército da Tailândia após confrontos entre os dois países no final do ano passado.

Durante uma visita organizada para a imprensa nesta quinta-feira, 12, repórteres encontraram escritórios abandonados com uniformes policiais falsos, roteiros de golpes, listas de potenciais vítimas e computadores destruídos.

Entre os ambientes criados pelos criminosos, havia uma sala que imitava uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, utilizada para conferir credibilidade a fraudes aplicadas contra vítimas estrangeiras.

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““Essas ações representam um uso perigoso de narrativas de aplicação da lei para incursões militares institucionais”, afirmou o ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra.”

De acordo com os militares tailandeses, os golpistas montavam cenários que simulavam delegacias ou instituições oficiais de diversos países, como Brasil, Austrália, Canadá e Índia, para convencer vítimas durante chamadas de vídeo ou telefonemas de que estavam lidando com autoridades legítimas.

A descoberta ressalta o Sudeste Asiático como um dos principais centros globais de fraudes online e golpes financeiros. Autoridades afirmam que o complexo fazia parte de uma vasta rede de fraudes operando na região.

O’Smach já havia sido identificada anteriormente como base de operações desse tipo, com menções de autoridades dos Estados Unidos sobre casos de tráfico de pessoas e trabalho forçado ligados a centros de golpes.

Segundo o Exército da Tailândia, milhares de pessoas viviam ou trabalhavam no local, muitas das quais seriam vítimas de tráfico humano, forçadas a aplicar golpes sob ameaça de punição.

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Durante a visita ao prédio, jornalistas encontraram documentos com listas detalhadas de possíveis alvos, seus contatos e roteiros de conversas usados nas fraudes, além de dormitórios com beliches e equipamentos de informática abandonados.

De acordo com autoridades militares, cerca de 20 mil pessoas podem ter passado pelo complexo antes da chegada das tropas. O diretor de inteligência do Exército tailandês, Teeranan Nandhakwang, afirmou que o objetivo de abrir o local para a imprensa era mostrar a dimensão das atividades ilegais.

A descoberta ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Tailândia e Camboja. O governo tailandês alega que a região era utilizada tanto como base militar cambojana quanto como centro de crimes transnacionais.

Os dois países enfrentaram confrontos mortais ao longo da fronteira disputada por cerca de três semanas em dezembro, o episódio mais recente de um conflito territorial de longa data.

Na ocasião, a Tailândia afirmou que suas forças atacaram vários cassinos do lado cambojano da fronteira, alegando que os locais eram utilizados como depósitos de armas e posições de tiro por forças do Camboja.

Observadores independentes identificaram ao menos dois desses complexos como fachadas que também operavam centros de golpes online. Mesmo após um cessar-fogo frágil, tropas tailandesas continuam posicionadas em áreas da região, enquanto Phnom Penh acusa Bangcoc de usar o combate aos golpes virtuais como justificativa para manter presença militar em território cambojano.

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