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Política

Governo aponta aposta em Bolsonaro como causa da crise da Raízen

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 08:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O governo federal afirmou que a crise financeira da Raízen teve início devido a uma aposta feita pelos acionistas na eleição presidencial de 2022. A Raízen, controlada pelos grupos Ometto e Shell, é a maior produtora nacional de açúcar e etanol e desempenha um papel significativo na distribuição de derivados de petróleo.

Na quarta-feira, 10 de março, a empresa recebeu autorização judicial para renegociar sua dívida de R$ 65 bilhões, equivalente a 12,5 bilhões de dólares. Segundo Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, os problemas começaram quando os acionistas decidiram vincular os projetos de crescimento da Raízen à reeleição de Jair Bolsonaro.

““A Raízen”, ele disse, “aceitou pagar 5 bilhões de reais em investimentos na Vale, na expectativa de se tornar controladora daquela empresa, porque acreditava na reeleição do governo anterior, e estava no direito dela.””

O ministro continuou: “Tomou prejuízo. A Raízen também aceitou pagar 4 bilhões de reais por aquela medida de desoneração de combustível (para mitigar a alta de preços ao consumidor provocada pela guerra da Rússia na Ucrânia). Veja, 4 bilhões de reais, só a Raízen. Custou 15 bilhões de reais para o setor de etanol para fazer dentro da eleição.”

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Silveira afirmou que o governo Lula planeja resgatar a Raízen, considerando-a uma empresa importante para o país. “Nós temos que socorrê-la, é uma empresa importante para o país. Mas foram opções empresariais, os números (das perdas financeiras) são objetivos.”

Durante a audiência, o deputado Danilo Forte (União Brasil) criticou a atuação do governo no combate ao crime organizado no setor de distribuição de combustíveis. Ele destacou a omissão do governo e o impacto negativo que isso teve sobre o setor.

““Vossa excelência fez um discurso eloquente”, comentou o deputado, “e eu estou meio cansado de tanto discurso, mas é bom deixar muito claro duas coisas: omissão houve, ministro, em relação ao combate ao crime organizado no Brasil; e, o setor de combustíveis está pagando um preço muito alto.””

Forte é autor do primeiro projeto de lei que tipifica como terrorismo os crimes de máfias como o PCC e o Comando Vermelho. Ele lamentou a situação da Raízen, afirmando que a insegurança no setor de combustíveis levou à saída de empresas multinacionais do mercado brasileiro.

A Raízen foi formada em 2011 pela união dos interesses do grupo Ometto e da Shell, cada um com 44% do capital. A empresa opera uma rede de oito mil postos Shell no Brasil e possui filiais na Argentina, Estados Unidos, França, Alemanha e Indonésia. Não há evidências concretas sobre a suposta aposta eleitoral dos acionistas, conforme argumentou o ministro.

Rubens Ometto, principal executivo da Raízen, foi um dos maiores financiadores de campanhas em 2022, com doações registradas para Jair Bolsonaro e Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. No governo Lula, ele integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão.

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