Governo dos EUA chega ao Brasil para reuniões sobre minerais críticos

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma comitiva de autoridades do governo dos Estados Unidos chega ao Brasil nesta segunda-feira (16) para uma série de reuniões sobre projetos brasileiros de minerais críticos. O objetivo é destravar negociações, aprofundar parcerias e avaliar projetos com potencial de financiamento americano.

As atividades começam hoje, com um evento principal programado para quarta-feira (18), onde ocorrerá um fórum sobre minerais críticos. O encontro discutirá possibilidades de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, com a participação de representantes de mineradoras elegíveis para financiamentos.

A comitiva é composta por integrantes dos departamentos de Energia, Comércio e Estado dos EUA, além de bancos de financiamento ligados ao governo americano. Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, também está entre os participantes. O EXIM (Export-Import Bank of the United States) e o DFC (U.S. International Development Finance Corporation) estão envolvidos na avaliação de novos projetos relacionados a minerais críticos.

O governo brasileiro terá uma participação mais discreta, com representantes da área de financiamento público, como Flávio Moraes da Mota, chefe do Departamento de Indústrias de Base e Extrativa do BNDES, e membros da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). A presença de secretários e ministros em eventos desse tipo tem sido evitada.

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O primeiro painel do evento será apresentado por autoridades americanas e abordará a política dos EUA para minerais críticos e terras raras. A administração Trump priorizou o tema, buscando reorganizar as cadeias produtivas desses minérios essenciais para tecnologias de ponta e defesa. Dan Vaughn, assessor sênior do Bureau de Assuntos Econômicos do Departamento de Estado, será um dos palestrantes, moderado por Ruth Demeter, diretora sênior de políticas do Global Energy Institute.

Outro painel focará em mineradoras com projetos promissores que buscam financiamento ocidental. Marcelo Carvalho, diretor da Meteoric Resources, e Rafael Moreno, CEO da Viridis Mining & Minerals, participarão desse painel. Ambas as empresas australianas desenvolvem projetos de terras raras em Minas Gerais e defendem a instalação de capacidades industriais para processamento desses minerais no Brasil.

Representantes de Goiás e Minas Gerais também estarão presentes, estados que têm adotado posturas ativas na atração de investimentos no setor mineral. A mineradora Serra Verde, que explora terras raras em Goiás e já é financiada pelo governo dos EUA, também participará do evento.

Durante o evento, haverá espaço para apresentações de empresas que buscam financiamento americano, com foco em projetos de terras raras, níquel, lítio e nióbio. A mineradora australiana St George Mining, que desenvolve um projeto inovador em Minas Gerais, é um exemplo de empresa que já se reuniu com autoridades dos EUA.

O evento é organizado pelo Citibank, pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) e pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. As reuniões ocorrem em um contexto de prioridade da gestão Trump em reduzir a dependência americana de minerais processados pela China, que domina 91% do refino global de terras raras.

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