Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo Lula expressam preocupação com o impacto político do escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro nas eleições de 2026.
Relatos de ministros indicam que uma estratégia começou a ganhar força para atribuir a responsabilidade da crise ao Banco Central, sob a gestão de Roberto Campos Neto.
A avaliação de aliados do Palácio do Planalto é que, se o episódio se transformar em uma crise sistêmica envolvendo diferentes instituições, o desgaste pode afetar diretamente o governo Lula, especialmente porque a imagem do Supremo Tribunal Federal está associada ao governo.
A tentativa do governo é concentrar o foco da crise na atuação do Banco Central durante a gestão de Campos Neto, deslocando o debate para supostas falhas de supervisão e regulação.
No entanto, interlocutores reconhecem que essa estratégia enfrenta limites, pois as revelações da investigação já colocam em evidência a atuação de autoridades do próprio Supremo, como os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que precisarão explicar seus contatos com personagens do caso.
Mesmo entre integrantes do governo, há quem admita que tentar reduzir a crise apenas ao Banco Central pode não ser suficiente para conter o desgaste institucional.
A movimentação ocorre após reclamações de ministros do Supremo, que pressionam o governo por uma reação política para mitigar os efeitos da crise sobre a imagem da Corte.
O temor é que o caso Master continue a arrastar o sistema político e institucional para o centro do escândalo em um ano pré-eleitoral.


