O governo dos Estados Unidos anunciou a criação da ‘Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis’, com o objetivo de trabalhar em conjunto com países latino-americanos para desmantelar cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental. A ordem executiva foi assinada no sábado, 7 de março de 2026, pelo presidente Donald Trump.
A nova coalizão contará com a parceria de 16 países da América Latina, e os EUA se comprometeram a ‘treinar e mobilizar’ os Exércitos desses países para combater os cartéis. A ordem executiva afirma: ‘Os cartéis e as organizações terroristas estrangeiras no Hemisfério Ocidental devem ser demolidos no maior grau possível (…) Os Estados Unidos treinarão e mobilizarão os militares de países parceiros para formar a força de combate mais eficaz possível para desmantelar os cartéis e sua capacidade de exportar violência e buscar influência por meio de intimidação organizada.’
Entretanto, o governo Trump não detalhou o que significa ‘treinar e mobilizar’ os militares dos países latino-americanos. A ordem também menciona que os países parceiros devem manter ameaças externas afastadas, possivelmente referindo-se à influência da China, que o governo Trump já declarou querer eliminar no continente.
Os 17 países signatários da ‘Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis’ são: Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. O Brasil não faz parte da coalizão, e o governo Lula teme que os EUA classifiquem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, o que poderia resultar em ações militares unilaterais em território brasileiro.
No mesmo dia, Trump recebeu líderes latino-americanos em Doral, Flórida, para a primeira reunião de cúpula do grupo ‘Escudo das Américas’. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado. Antes disso, o governo Trump já havia recebido líderes militares da região em Washington D.C. Durante a reunião, o assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou que os cartéis de drogas só podem ser derrotados com o uso da força militar.
O governo Trump tem intensificado suas ações contra cartéis de drogas. Recentemente, no México, uma operação do Exército resultou na morte de El Mencho, um dos narcotraficantes mais procurados, com apoio de inteligência militar dos EUA. O governo mexicano, no entanto, afirmou que a operação foi realizada exclusivamente por suas Forças Armadas. No Equador, o Exército bombardeou acampamentos do grupo Comandos de la Frontera, com participação dos EUA, que confirmou apoio a ‘ações cinéticas letais’ por ordem do secretário de Guerra, Pete Hegseth.
O governo Lula busca evitar que os EUA classifiquem o PCC e o CV como organizações terroristas internacionais, pois isso abriria caminho para ações militares contra esses grupos no Brasil sem a aprovação do governo. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está liderando os esforços e pediu ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que impeça essa designação. Após a conversa, o Departamento de Estado dos EUA declarou que considera o PCC e o CV como ameaças à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas e crime transnacional.
O presidente Lula planeja uma viagem a Washington D.C. para se encontrar com Trump, e a questão da classificação dos grupos deve estar na pauta da reunião, cuja data ainda está em negociação.


