Governos da Ásia à Europa estão adotando medidas para proteger os consumidores do aumento dos custos de combustível e alimentos, provocado pela guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. As ações incluem subsídios para combustíveis, limites de preços e liberações emergenciais de commodities.
O conflito interrompeu um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito do Oriente Médio, levando países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuweit, Iraque e Catar a cortarem a produção. A AIE (Agência Internacional de Energia) classificou essa situação como a maior interrupção no fornecimento de energia já registrada.
O contrato internacional de referência do petróleo Brent fechou na sexta-feira (13) acima de US$ 100 o barril, um aumento de 42% desde o início dos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã no final de fevereiro. A AIE está coordenando a maior liberação de petróleo de todos os tempos dos estoques de emergência, enquanto os EUA aliviaram as sanções sobre as exportações de petróleo da Rússia como uma medida temporária para a escassez de fornecimento.
Os países que dependem mais das importações de energia enfrentam alta nos preços e escassez de combustível devido à interrupção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, onde embarcações foram atacadas. Os governos estão tomando medidas para lidar com a magnitude do choque e aliviar a situação das empresas e das moradias, à medida que os gastos com transporte e energia aumentam.
Alguns governos estão considerando subsídios para evitar que o aumento dos custos de combustível impacte outras partes da economia, como os preços dos alimentos. Natasha Kaneva, chefe de pesquisa de commodities globais do JP Morgan, afirmou: “Uma questão central é quanto tempo os importadores podem sustentar o fornecimento de combustível antes que a escassez se aprofunde”.
Na Coreia do Sul, as autoridades consideram fornecer cupons de energia adicionais para subsidiar famílias vulneráveis. O governo também está preparando planos de contingência para aumentar a geração de energia nuclear e a carvão, caso os suprimentos de GNL do Oriente Médio continuem interrompidos.
No Egito, as autoridades limitaram os preços do pão não subsidiado em padarias privadas, devido ao aumento dos custos de combustível e transporte. O pão é um alimento básico para milhões de pessoas no país, um dos maiores importadores de trigo do mundo. Na China, o governo liberará fertilizantes das reservas nacionais para estabilizar os preços e garantir suprimentos adequados para os agricultores.
Na Ásia e na Europa, os governos também estão intervindo diretamente nos mercados de energia. As Filipinas informaram que poderão regular os preços da eletricidade em breve, enquanto aumentam a geração a carvão. Na Índia, as autoridades pedem que as famílias não entrem em pânico com a compra de botijões de gás liquefeito de petróleo e incentivam o uso de gás natural encanado.
A Europa busca salvaguardar os fluxos de gás, com os preços de referência do gás holandês cerca de 50% mais altos do que antes da guerra. A Comissão Europeia está preparando orientações para uma aplicação mais flexível de regras de importação de gás, o que poderia beneficiar as importações do Azerbaijão.


