A possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros em 2026 remete à greve de dez dias que ocorreu em 2018, a qual paralisou o país e causou desabastecimento generalizado.
A greve de 2018 foi a maior da história da categoria, superando protestos anteriores, como os de 2015 e as paralisações regionais de 1979. O aumento acelerado do preço do diesel foi o estopim da mobilização.
Entre julho de 2017 e maio de 2018, o preço do diesel subiu 56,5% nas refinarias, passando de cerca de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, sem considerar impostos. Para os caminhoneiros, o diesel representava cerca de 42% dos custos do frete, tornando a operação inviável para muitos.
A partir de 21 de maio de 2018, os caminhoneiros iniciaram bloqueios em rodovias de todo o país. Em poucos dias, os efeitos foram sentidos: postos sem combustível, supermercados com prateleiras vazias e cancelamentos de voos devido à falta de querosene de aviação.
O impacto econômico foi significativo, com a paralisação retirando 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018, segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Setores produtivos enfrentaram prejuízos bilionários, levando o governo a agir rapidamente.
A principal reivindicação dos caminhoneiros era a redução do custo do diesel, incluindo a zeragem de tributos federais. O governo anunciou um pacote emergencial, que incluía a redução de R$ 0,46 por litro no diesel e a criação de uma política de pisos mínimos para o frete.
Sete anos depois, o aumento do diesel volta a ser uma preocupação, impulsionado por fatores externos, como a alta do petróleo no mercado internacional. Os caminhoneiros enfrentam dificuldades para repassar custos ao frete e pedem medidas do governo para garantir renda mínima e previsibilidade.
Embora o governo atual busque agir de forma preventiva, lideranças da categoria demonstram ceticismo quanto à efetividade dessas ações. A possibilidade de uma nova paralisação em escala nacional preocupa, pois o transporte rodoviário é crucial para a logística de cargas no Brasil.
Com a nova mobilização em curso, o risco de um cenário semelhante ao de 2018 volta ao radar, embora ainda não haja uma data definida para o início da paralisação.

