Greve de ônibus em São Luís chega ao segundo dia sem previsão de retorno

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A greve dos rodoviários do sistema urbano de São Luís completou seu segundo dia neste sábado, 14 de março de 2026, sem previsão de retorno às atividades. O movimento foi motivado pelo atraso no pagamento do reajuste salarial, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema).

Nos primeiros momentos da manhã, os usuários que precisaram do serviço enfrentaram dificuldades e recorreram a transportes por aplicativo ou aguardaram mais tempo pelos ônibus do sistema semiurbano, que continuam a operar normalmente. Este sistema atende os municípios de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.

Esta é a segunda greve enfrentada pela cidade em menos de três meses. O sindicato estima que entre 4,5 mil e 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís. A nova paralisação, que começou na sexta-feira, 13, ocorre em meio a uma série de problemas enfrentados pelo transporte coletivo local.

Marcelo Brito, presidente do Sttrema, afirmou que nenhum rodoviário recebeu o salário com o aumento acordado na última paralisação, conforme determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho. Na porta de uma das empresas de transporte público, uma placa anunciava a contratação de motoristas, mas os rodoviários destacam que o problema central é o não pagamento do reajuste salarial, o que impede a normalização das atividades.

A Prefeitura de São Luís declarou que tem cumprido regularmente suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público e que os repasses de subsídios às empresas estão sendo realizados em dia, sem deduções ou atrasos. Para minimizar os impactos da greve, a Prefeitura liberou vouchers em um aplicativo de transporte, garantindo o deslocamento dos usuários enquanto o serviço estiver comprometido.

Além disso, a Prefeitura informou que, na quinta-feira, 12, ingressou com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e a adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo, conforme a legislação aplicável aos serviços essenciais.

A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) ressaltou que a greve é resultado do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação do reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários. A SMTT segue monitorando a situação e adotando medidas para restabelecer o serviço e proteger os direitos dos usuários.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) esclareceu que o subsídio pago pela Prefeitura ainda é o mesmo de janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos rodoviários e aumento nos custos do serviço. O SET também mencionou que o preço do diesel aumentou R$ 1,40 o litro na última semana, e que a medida do presidente Lula resultará em uma redução de apenas R$ 0,30.

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) está conduzindo um inquérito civil para investigar falhas na prestação do serviço de transporte coletivo, incluindo paralisações recorrentes e possíveis irregularidades na gestão do sistema. A investigação abrange o Município de São Luís, o SET, os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.

A última paralisação do sistema urbano durou oito dias, e os ônibus voltaram a circular após um acordo com o MP-MA, empresários e a Prefeitura, que garantiu o pagamento dos salários atrasados. Nos últimos seis anos, a capital enfrentou pelo menos dez paralisações, principalmente por impasses salariais e disputas entre empresas e rodoviários.

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