Gripe K: Entenda a nova variante e a importância da vacina da Influenza

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O aumento global de casos de influenza sazonal tem chamado a atenção de autoridades sanitárias. Identificada como gripe K, essa variante é um subclado do vírus influenza A (H3N2) e não representa uma nova doença, mas uma variação genética de um patógeno já conhecido.

A gripe K começou a circular em países da Europa, Ásia e América do Norte desde meados de 2025, sendo identificada no Brasil no final do ano passado. A variante apresentou um aumento repentino a partir de agosto de 2025 e, por isso, não faz parte da composição das vacinas de gripe que serão oferecidas à população no inverno de 2026.

As vacinas de gripe são atualizadas anualmente com as cepas mais circulantes, conforme o acompanhamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2025, a OMS divulgou a composição das vacinas em setembro, quando a gripe K ainda não era uma preocupação. No entanto, as vacinas que estão sendo aplicadas atualmente, tanto na rede pública quanto na privada, ainda oferecem proteção contra a variante K.

A OMS emitiu um alerta em dezembro afirmando que mesmo os imunizantes que não foram atualizados continuam a fornecer proteção contra formas graves da doença e hospitalização. A vacina de 2026 do Instituto Butantan inclui uma cepa de influenza A (H3N2), de onde veio a variante K, além de cepas de influenza A (H1N1) e de influenza B (linhagem Victoria).

““É extremamente importante que as pessoas tomem a vacina Influenza atualizada durante a campanha de vacinação, que ocorre antes do período de maior circulação do vírus. As evidências mostram que pessoas vacinadas que se infectaram com a cepa K ficaram protegidas contra os sintomas graves da doença”, afirma Paulo Lee Ho, pesquisador científico e gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan.”

Paulo Lee Ho também explica que o aumento de infecções é comum com a circulação de uma nova cepa e que uma alta cobertura vacinal é a melhor forma de reduzir transmissões e evitar que a variante se espalhe pelo país.

A variante K, também chamada de J.2.4.1, é originada do subclado J.2 do H3N2 e possui sete mutações em seu material genético, permitindo que ela “escape” da resposta imune, resultando em um maior número de infecções. Essas mutações podem ocorrer quando duas cepas infectam o mesmo hospedeiro ou de forma espontânea, como no caso da variante K.

““A cepa K foi selecionada naturalmente; ela foi ‘escapando’ do sistema imune com a aquisição de cada uma dessas mutações”, diz Paulo Lee Ho.”

A OMS destaca que, apesar de ser uma evolução do vírus H3N2, não há evidências de que a gripe K cause um aumento na gravidade da doença. O cientista do Butantan esclarece que cepas com potencial pandêmico são geradas por rearranjos do material genético, o que não é o caso da variante K.

Os vírus influenza sofrem mutações devido à sua biologia. Eles são vírus de RNA que duplicam seu material genético, mas não corrigem erros, resultando em mutações.

A vacina Influenza foi inserida no Calendário Nacional de Vacinação em abril de 2025, tornando-se disponível ao longo do ano para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2026 deve ocorrer entre março e abril.

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