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Grupo de Mulheres Brasileiras fortalece mulheres na Amazônia há 40 anos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

No bairro Benguí, em Belém, Dona Domingas Martins, de 73 anos, lidera o Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB), um movimento que atua há quase 40 anos no combate à violência doméstica e na promoção da autonomia feminina.

O GMB foi criado nos anos 1980 e reúne mulheres da periferia para discutir direitos e desenvolver iniciativas de geração de renda. Domingas, que sofreu violência desde a infância, relata: “Sofri violência desde os oito anos de idade. Violência doméstica, sexual, todo tipo de violência que você possa imaginar.”

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 80% das mulheres do Pará são negras, e mais da metade está na informalidade. No Norte do país, mais de 40% dos domicílios são chefiados por mulheres, conforme dados da PNAD Contínua.

O GMB surgiu da trajetória de vida de Domingas, que, ao fugir de um casamento abusivo, começou a organizar encontros com outras mulheres. “O grupo surgiu da minha história de vida. Mantive na minha cabeça que eu não queria que nenhuma outra mulher passasse pelo que eu passei”, afirma.

O grupo se formalizou em 1986 e começou a realizar pesquisas para entender as experiências das mulheres do Benguí. “Descobrimos que muitas sofriam de depressão”, diz Domingas.

Atualmente, o GMB atua em três frentes: saúde da mulher, combate à violência de gênero e geração de renda. O grupo criou o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que oferece cursos profissionalizantes e incentiva a produção de artesanato.

Além disso, o GMB promove rodas de conversa e oferece atendimento psicológico gratuito às mulheres da comunidade. “Buscamos a nossa cura com a escuta coletiva”, explica Domingas.

O movimento também participa de articulações nacionais pelos direitos das mulheres, como o Fórum de Mulheres do Brasil. Domingas destaca a importância da participação feminina na política, embora reconheça as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres: “A rotina afasta as mulheres da política porque muitas são mãe e pai ao mesmo tempo.”

Quase quatro décadas após sua criação, Domingas vê no GMB a prova de que a união entre mulheres pode transformar vidas. “Juntas, somos muito fortes e grandes”, conclui.

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