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Economia

Grupo Pão de Açúcar fecha acordo com credores para suspender dívidas

Amanda Rocha
Última atualização: 10 de março de 2026 16:42
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira, 10, um acordo com credores para suspender por 90 dias as cobranças de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O CEO da companhia, Alexandre Santoro, afirmou que a recuperação extrajudicial é fundamental para a manutenção do funcionamento das lojas e para a boa relação com os fornecedores.

O GPA enfrenta dificuldades financeiras, não registrando lucro anual desde 2021. Nos últimos quatro anos, a empresa teve prejuízos de R$ 172 milhões em 2022, R$ 2,2 bilhões em 2023, R$ 2,4 bilhões em 2024 e R$ 824 milhões em 2025. Apesar de um bom desempenho operacional, o endividamento elevado impacta negativamente a companhia.

Ao final de 2025, o GPA gerou R$ 1,3 bilhão em caixa operacional, mas teve um custo financeiro de R$ 920 milhões com juros da dívida. A dívida total a ser renegociada é de R$ 4,5 bilhões, sendo que R$ 1,7 bilhão vence em 2026, o que motivou a realização do acordo. Sem esse acordo, a empresa enfrentaria um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

“Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, destacou a nota explicativa do balanço do GPA, revisada pela Delloitte. Santoro afirmou que a suspensão da cobrança por 90 dias permitirá à empresa manter sua operação enquanto busca um acordo com os credores. “Esperamos utilizar esse prazo para chegar a um acordo legal com credores”, disse.

Fontes indicam que o Itaú é o maior detentor da dívida de curto prazo do GPA, com R$ 900 milhões a receber em maio. A empresa também deve R$ 500 milhões para um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e R$ 300 milhões ao Rabobank. O GPA ainda acumula R$ 17 bilhões em dívidas de contingências fiscais e trabalhistas, sendo R$ 11 bilhões em processos tributários e R$ 1,6 bilhão em questões trabalhistas de subsidiárias.

O CEO ressaltou que parte do passivo tributário é composto por multas e juros, e a companhia está trabalhando para um acordo que permita parcelar essas dívidas em um prazo viável. A recuperação extrajudicial oferece um fôlego para a varejista negociar o pagamento das dívidas e manter suas operações.

O futuro do GPA permanece incerto, e a empresa busca soluções para superar os desafios financeiros que enfrenta.

TAGGED:Alexandre SantoroDelloitteEconomiaGrupo Pão de AçúcarItaúPão de AçúcarRabobankrecuperaçãoSPXVarejo
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