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Grupo Pão de Açúcar firma acordo para recuperação extrajudicial

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) um acordo com seus principais credores para a apresentação de um plano de recuperação extrajudicial. A crise na companhia, que registra prejuízos consecutivos, não é recente, conforme apontam analistas.

No ano passado, o Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista, detendo 24,6% das ações, enquanto o francês Casino possui 22,5%. Em outubro, André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração, e Marcelo Pimentel, que ocupava a presidência executiva desde 2022, renunciou. Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como novo diretor-presidente no início de 2026.

O plano de recuperação extrajudicial abrange obrigações de pagamento sem garantia, totalizando aproximadamente R$ 4,5 bilhões. O GPA esclareceu que obrigações correntes com fornecedores, parceiros e clientes, assim como obrigações trabalhistas, estão excluídas do processo. O conselho de administração autorizou o acordo de forma unânime.

““Nesse período, a Companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”, afirmou o GPA.”

As operações das lojas seguirão funcionando normalmente, segundo a empresa, que garante estar em dia com suas obrigações junto a fornecedores e parceiros.

No quarto trimestre de 2025, o GPA registrou um prejuízo líquido de R$ 572 milhões, 48,2% inferior ao mesmo período do ano anterior, mas acima das expectativas do mercado. A dívida prevista para vencer ao longo de 2026 é de R$ 1,7 bilhão. O Ebitda ajustado foi de R$ 510 milhões, com uma alta de 2,5% em relação ao ano anterior.

As vendas totais do grupo, incluindo a bandeira Extra, somaram R$ 5,6 bilhões, apresentando uma queda de 0,4% em comparação com 2024. No conceito de mesmas lojas, as vendas aumentaram 2,7% no quarto trimestre. A companhia observou uma demanda mais arrefecida no mercado alimentar.

O GPA destacou uma “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional após a divulgação do balanço, com um capital circulante líquido negativo de cerca de R$ 1,22 bilhão. A administração está adotando iniciativas para alongar prazos de dívidas financeiras e reduzir custos.

““Apesar da melhora nos principais indicadores, a companhia continua apurando prejuízo”, reconheceu o GPA.”

Na semana passada, o CEO Alexandre Santoro contatou fornecedores para esclarecer a situação financeira e garantir que as dívidas seriam renegociadas diretamente com os bancos. A dívida bruta do GPA permanece em torno de R$ 4 bilhões, e a taxa de juros atual de 15% tem elevado o custo de manutenção dessa dívida.

O GPA, que já foi uma das maiores empresas da bolsa brasileira, enfrenta um longo ciclo de deterioração. Especialistas apontam que a troca de comando e a falta de uma estratégia clara contribuíram para a crise atual. O cenário de juros elevados e a desaceleração da atividade econômica no Brasil também impactam negativamente a companhia.

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