Guerra com Irã aumenta riscos para projetos de GNL no Brasil

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã elevou a percepção de risco para projetos de usinas termelétricas que utilizam gás natural liquefeito (GNL) no Brasil. O leilão mais aguardado do setor elétrico ocorrerá na próxima semana, em meio a incertezas no mercado.

Analistas afirmam que pré-acordos com fornecedores de GNL podem ser afetados pela situação atual, especialmente se o conflito se prolongar ou causar danos a infraestruturas. O Catar, segundo maior exportador de GNL, anunciou a suspensão da produção em uma de suas instalações e declarou força maior nos embarques.

A Shell, maior comercializadora mundial de GNL, também declarou força maior nas cargas adquiridas da QatarEnergy. Embora o Brasil não seja um grande consumidor de GNL, o uso do combustível pode aumentar nos próximos anos, com o leilão prevendo a negociação de pelo menos 20 gigawatts (GW) em contratos.

Grandes empresas, como Petrobras, Eneva e New Fortress Energy, importam GNL de outros países, principalmente dos Estados Unidos. Alguns investidores já possuem contratos vinculantes de gás, mas a dinâmica de demanda pode mudar, com mercados prioritários, como a Ásia, aumentando a concorrência.

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““Se você tem uma dinâmica de preço muito descolada do que é o histórico, você tende a deslocar essa oferta para quem está pagando mais”, disse Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra.”

O Brasil já enfrentou problemas semelhantes no primeiro leilão de capacidade, realizado em 2021, quando a usina Portocém teve seu pré-acordo de GNL com a Shell cancelado devido a mudanças no mercado após a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Vinícius Romano, vice-presidente da área de gás da Rystad Energy, destacou que os supridores do leilão estão mais preparados após a crise do gás provocada pela guerra na Ucrânia. Ele observou que os preços do GNL na Europa aumentaram significativamente, mas a falta de compromissos firmes pode levar a renegociações.

““Em situação extrema de confusão, pode ter ruptura de oferta sim”, afirmou Décio Oddone, ex-presidente da Petrobras Bolívia.”

O leilão busca garantir investimentos bilionários para a segurança do fornecimento de energia no Brasil. Além de usinas a GNL, o certame poderá incluir projetos de gás natural, carvão, óleo combustível e biodiesel, além da expansão de hidrelétricas. A Eneva planeja recontratar usinas existentes e aumentar a capacidade de geração em Sergipe, enquanto a Petrobras tem nove usinas disponíveis para recontratação, totalizando 2,9 GW.

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