Guerra no Irã pode levar Europa a racionar energia em semanas, afirma Shell

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz podem levar a Europa a enfrentar escassez de energia e a necessidade de racionamento de combustível já no próximo mês. A afirmação foi feita pelo CEO da Shell, Wael Sawan, nesta terça-feira, 24.

Sawan informou que está colaborando com os governos europeus para ajudá-los a lidar com a crise de fornecimento de petróleo e gás. Ele destacou que não existe segurança nacional sem segurança energética. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já dura quatro semanas, já impactou o fornecimento de combustível de aviação, que dobrou de preço desde o início da guerra, e deve afetar também o valor do diesel e da gasolina.

“O sul da Ásia foi o primeiro a receber esse peso. Isso direcionou-se para o sudeste asiático, nordeste asiático e depois mais para a Europa à medida que entramos em abril”, disse Sawan durante a conferência CERAWeek em Houston, Texas.

A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, também alertou que, se o conflito persistir, pode haver escassez de energia no final de abril ou início de maio.

- Publicidade -

Os preços do petróleo caíram para cerca de US$ 100 o barril nesta quarta-feira, após atingir picos de cerca de US$ 114 no início da semana. A queda ocorreu em resposta a relatos de que a Casa Branca enviou um plano de paz de 15 pontos aos líderes do Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã estão “em negociações neste momento”, indicando que os iranianos “querem muito” um cessar-fogo.

Além disso, Sawan mencionou que a Shell está considerando a utilização do gás natural e do petróleo da Venezuela antes do final do ano, caso a situação fiscal e legal do país permita. Em janeiro, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma reforma da lei petrolífera que abre a indústria a empresas privadas. A proposta foi feita por Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, em uma operação dos Estados Unidos que incluiu bombardeios a Caracas e regiões vizinhas.

Recentemente, a Shell assinou acordos preliminares com o governo venezuelano para desenvolver projetos de petróleo e gás no país, o que poderia proporcionar à empresa acesso a áreas estratégicas.

Compartilhe esta notícia