Guerra no Irã gera impactos significativos no Oriente Médio e mensagens confusas dos EUA

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada há uma semana, trouxe efeitos drásticos para o Oriente Médio, enquanto os objetivos do governo de Donald Trump permanecem pouco claros.

A expectativa inicial de que o regime dos aiatolás cairia rapidamente foi substituída por mensagens contraditórias do presidente e de seus conselheiros, indicando a falta de um plano consistente para a operação militar.

Até agora, o regime iraniano não foi derrubado e não há sinais de que isso ocorrerá em breve, com o conflito se estendendo além das “quatro ou cinco semanas” previstas por Trump.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou uma nova fase da campanha militar, prometendo bombardeios mais devastadores. Ele afirmou:

““Se vocês acham que já viram algo, apenas esperem. A quantidade de poder de fogo que ainda está vindo, combinada com as forças de Israel, vai se multiplicar sobre o Irã.””

Com mais de mil vítimas e danos incalculáveis, a primeira semana do conflito alterou profundamente a dinâmica do Oriente Médio, com o Irã realizando ataques retaliatórios contra países do Golfo e disparando mísseis contra o Azerbaijão e a Turquia.

Os Estados Unidos também afundaram um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, a mais de 3 mil quilômetros do conflito. Os mercados financeiros estão em convulsão, com os preços do petróleo e do gás disparando devido ao controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, Trump enfrenta um alerta interno com as eleições de meio de mandato se aproximando, o que pode explicar as mensagens confusas do governo. Após a morte do aiatolá Ali Khamenei, o presidente moderou seu tom inicial e reconheceu que os sucessores cogitados pela Casa Branca também haviam morrido.

Os secretários Marco Rubio e Hegseth passaram a traçar objetivos mais modestos, como a destruição do programa nuclear e da Marinha iraniana, abandonando a meta de derrubar o regime. Rubio admitiu que os EUA entraram no conflito a reboque de Israel, uma afirmação que foi desmentida por Trump, que alegou que o Irã planejava ataques preventivos contra os EUA.

As mensagens divergentes emitidas nesta primeira semana refletem a impopularidade de um novo conflito externo entre os americanos, especialmente entre a base MAGA que apoia Trump. Influenciadores proeminentes criticaram o envolvimento dos EUA no Irã, considerando-o uma traição aos princípios do lema “América Primeiro”. Uma guerra prolongada e custosa, com baixas de militares americanos, pode intensificar esse descontentamento.

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