A ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação do regime de Teerã expuseram divisões internas no Brics, que não emitiu uma declaração conjunta até o momento. Os membros do bloco, que atualmente conta com dez países, apresentaram posicionamentos públicos divergentes.
O Brics é composto por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. Enquanto Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva de Israel e EUA, Emirados Árabes Unidos e Índia focaram nas retaliações do Irã. A África do Sul manifestou preocupação com a escalada do conflito.
A falta de coesão contrasta com a reação conjunta observada em junho de 2025, quando os dez países do bloco emitiram uma nota conjunta sobre a guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã. Naquela ocasião, o Brasil presidia o bloco e os países classificaram os ataques israelenses como uma “violação do direito internacional”.
O conflito atual, que começou em 2026, apresenta diferenças em relação à guerra anterior. O Irã retaliou a ofensiva israelense, mas suas ações não atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, como ocorreu desta vez. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, afirmou que o país não ataca seus vizinhos, mas sim a presença dos EUA na região.
Entretanto, danos foram registrados em alvos civis, como aeroportos e refinarias. A Arábia Saudita advertiu que “se reserva ao direito” de reagir ao que chamou de “ataque covarde do Irã”, enquanto os Emirados Árabes Unidos descartaram ação militar e pediram uma solução das Nações Unidas.
O Brics, que passou por uma grande expansão entre 2023 e 2025, agora enfrenta desafios de coesão. A presidência rotativa é ocupada pela Índia, que mantém relações estreitas com os EUA e Israel. O premiê indiano, Narendra Modi, condenou as retaliações iranianas, mas não comentou sobre os ataques israelenses.
Rússia e China se posicionaram contra a ação de Israel e EUA, com a Rússia classificando o ataque como “ato não provocado de agressão armada”. A África do Sul, por sua vez, pediu uma solução diplomática sem mencionar diretamente os países envolvidos.
O Brasil foi o único membro do Brics a condenar explicitamente a ofensiva de EUA e Israel, expressando preocupação com os ataques e instando todas as partes a respeitar o Direito Internacional. A Indonésia lamentou o fracasso nas negociações entre EUA e Irã, enquanto a Etiópia expressou solidariedade ao Kuwait, alvo de retaliação do Irã.

