O mercado de fertilizantes brasileiro enfrenta novos desafios com o avanço do conflito no Oriente Médio. Os preços da ureia, um dos principais insumos utilizados nas lavouras de milho, registraram alta de 5% desde a última sexta-feira, com a tonelada saltando de US$ 475 para US$ 500. A volatilidade se intensificou rapidamente, atingindo US$ 600 por tonelada.
O Oriente Médio representa 35% da oferta global de ureia, o que explica o impacto imediato do conflito nas cotações internacionais. Outro fertilizante nitrogenado importante, o sulfato de amônio, também apresentou valorização significativa, passando de US$ 205 para mais de US$ 230 a tonelada.
A situação gera apreensão em toda a cadeia produtiva, especialmente porque o Brasil depende fortemente de importações para suprir sua demanda por fertilizantes. Analistas do setor observam que os participantes do mercado brasileiro estão, em sua maioria, ausentes das negociações, preferindo acompanhar os desdobramentos da guerra para entender melhor como o conflito afetará a disponibilidade e a logística de escoamento não apenas da ureia, mas também de outros fertilizantes e da amônia, importante matéria-prima na região.
“O mercado, principalmente de nitrogenados, segue bastante volátil, com atualizações a cada momento”, afirmou Renata Cadarelli, analista da Argus.
O Brasil está em um período de entressafra de compra de fertilizantes nitrogenados, o que pode amenizar parcialmente o impacto imediato, mas não elimina a preocupação com os próximos ciclos produtivos.
A situação difere do cenário de 2022, quando o início da guerra entre Rússia e Ucrânia causou turbulências no mercado de fertilizantes. Naquela época, segundo a analista, o pânico tomou conta dos participantes brasileiros, especialmente em relação ao cloreto de potássio, levando a compras recordes para garantir o abastecimento. Atualmente, os agentes de mercado estão mais cautelosos, evitando negociações precipitadas enquanto avaliam a extensão e duração do conflito no Oriente Médio.

