Guerra no Oriente Médio pode elevar inflação e impactar o bolso do consumidor

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã pode gerar efeitos “bastante relevantes” sobre a inflação brasileira, segundo Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos. Analistas destacam que o conflito mexe diretamente com o fluxo de commodities importantes para o Brasil, podendo transmitir efeitos inflacionários sobre toda a cadeia produtiva.

Um exemplo é o petróleo, essencial para combustíveis, produção industrial e transportes. Na terça-feira (3), o barril do Brent, referência internacional, encerrou o dia em alta de 4%, atingindo US$ 81. Segundo um relatório da Tendências Consultoria, o preço do petróleo na casa dos US$ 80 pode gerar um impacto de 0,25 ponto percentual na inflação brasileira.

Inicialmente, Kawauti ressaltou a questão dos fertilizantes, dos quais o Brasil importa US$ 66,8 milhões do Irã em 2025, representando 0,4% de todas as importações do grupo “adubos ou fertilizantes químicos”. O especialista apontou que o Irã é um importante fornecedor desses insumos, cuja alta nos preços pode encarecer a produção no campo e, consequentemente, os preços de alimentos in natura e industrializados.

Além dos fertilizantes, cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial. O fechamento dessa via pelo Irã pode causar disrupções nas cadeias produtivas globais, segundo Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Daycoval. Ele sugere que o conflito pode levar a um corte de juros do Banco Central menos expressivo, possivelmente de 25 pontos percentuais em vez dos 50 esperados.

Se o conflito se prolongar e o preço do petróleo continuar subindo, Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, observa que os preços dos combustíveis no Brasil podem ser reajustados, afetando diretamente o bolso do consumidor.

O especialista ainda observou que o Brasil possui estoques de diesel que geram um “colchão de segurança”. No entanto, a alta dos preços dos combustíveis pode se propagar para outros setores, elevando custos de frete e, consequentemente, os preços de alimentos.

Segundo cálculos da Warren Investimentos, o impacto total – direto e indireto – da alta dos combustíveis em relação à cesta de consumo do brasileiro pode chegar a 7% a 8%, considerando o cenário de escassez hídrica.

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