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Guerra no Oriente Médio e seus impactos na decisão sobre a Selic

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A combinação de tensões no exterior e uma inflação resistente tem colocado a política de juros em destaque nas discussões do mercado. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, aponta que a recente disparada do petróleo altera o humor global. Ele afirma que, quando o barril sobe abruptamente, os riscos inflacionários aumentam em todo o mundo, incluindo o Brasil, o que pode modificar a trajetória esperada para os juros.

“Os riscos inflacionários nos Estados Unidos, no mundo todo e também no Brasil aumentam”, afirmou Galhardo. Nesse cenário incerto, a expectativa para a próxima decisão do Banco Central tende a ser mais moderada. O diretor de política monetária, Newton David, já indicou que um eventual corte de juros não deve ser visto como o início de um ciclo longo de reduções. “Trata-se apenas de uma calibração, um ajuste pontual”, disse o economista.

Galhardo também projetou que o IPCA de fevereiro deve avançar cerca de 0,69%, impulsionado por reajustes típicos do início do ano, como tarifas de transporte público e mensalidades escolares. Para o acumulado de 2026, a expectativa é de inflação entre 4% e 4,2%, sugerindo que muitas dessas pressões são temporárias.

A cautela é uma característica observada nas decisões do Copom, conforme destacou o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima. Ele observa que o Banco Central brasileiro tende a ser conservador em momentos de incerteza. “O posicionamento é muito mais cauteloso, e isso é uma característica que a gente costuma observar nas decisões do Copom”, explicou.

Na prática, isso pode resultar em um corte menor de juros do que o mercado esperava. Lima sugere que, ao invés de uma redução de 0,50 ponto percentual, o movimento mais provável seria em torno de 0,25 ponto, para evitar decisões precipitadas. Ele também mencionou que a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, veio acima do esperado, indicando resistência dos preços.

“Se essa resiliência aparecer também no indicador oficial, começa a acender um sinal amarelo”, afirmou Lima, que projetou uma inflação em torno de 4,44% para o ano, com variação mensal próxima de 0,33%.

O cenário externo apresenta desafios, com ruídos que vão do petróleo às tensões geopolíticas. Se a inflação interna também demonstrar força, o espaço para cortes de juros ficará ainda mais restrito. Nesse caso, o Banco Central deve manter uma postura cautelosa para preservar sua credibilidade e evitar mudanças bruscas na política monetária, uma cautela que o mercado, mesmo impaciente, já começa a compreender.

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