Guerra no Oriente Médio limita ajuda humanitária e atrasa socorros

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Importantes rotas humanitárias aéreas, marítimas e terrestres estão sendo restringidas devido à guerra no Oriente Médio, atrasando o envio de ajuda essencial em crises severas. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completou sete dias nesta sexta-feira (6), impactando mercados globais e interrompendo cadeias de suprimento com o fechamento de espaço aéreo e a paralisação do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.

A ajuda destinada a Gaza e ao Sudão está praticamente paralisada, enquanto os custos para socorrer centenas de milhões de pessoas em crises de fome aumentam rapidamente. “Pessoas que precisam urgentemente de assistência terão de esperar mais tempo por comida”, afirmou Jean-Martin Bauer, diretor de Segurança Alimentar do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

Além disso, tendas, lonas e lâmpadas destinadas aos territórios palestinos ocupados de Gaza e da Cisjordânia estão retidas na cadeia logística, conforme informou a Organização Internacional para Migrações (OIM). Grupos de ajuda relatam que o aumento dos custos operacionais pressiona orçamentos já afetados por cortes significativos de doadores.

A OIM destacou que empresas de transporte estão exigindo sobretaxas emergenciais de cerca de US$ 3.000 (cerca de R$ 15.732,30) por contêiner. Organizações humanitárias que armazenam suprimentos para resposta rápida nos armazéns do Hub Humanitário de Dubai enfrentam dificuldades para transportar os produtos pelas rotas de trânsito.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) não consegue enviar kits de trauma para o Crescente Vermelho iraniano nas operações de busca e resgate. Os equipamentos estão armazenados no hub de Dubai, parte de um estoque emergencial avaliado em 10 milhões de francos suíços (US$ 13 milhões, ou cerca de R$ 68,1 milhões), conforme informou Cecile Terraz, diretora da organização.

A IFRC também não consegue enviar cargas pelo porto de Jebel Ali, o maior terminal de contêineres da região, que pegou fogo após a interceptação de um míssil. Normalmente, as cargas seguem de lá por avião ou pelo Estreito de Ormuz. As operações do hub da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Dubai também estão congeladas, segundo a diretora regional Hanan Balkhy, bloqueando 50 pedidos emergenciais de 25 países e prejudicando campanhas de vacinação contra a pólio.

Os efeitos da crise podem se espalhar ainda mais. O Sudão, que enfrenta fome extrema, está particularmente vulnerável devido às restrições adicionais desde 28 de fevereiro no Canal de Suez e no estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, conforme informou o ACNUR. “Estamos particularmente preocupados com a África”, disse uma porta-voz da agência, acrescentando que algumas cargas estão sendo enviadas contornando o Cabo da Boa Esperança, uma rota que pode levar até três semanas a mais.

Os custos de combustível, transporte e seguros também estão subindo. Terraz afirmou que a IFRC pode ser obrigada a reduzir as entregas ao Crescente Vermelho iraniano. Emma Maspero, gerente sênior da divisão de suprimentos do UNICEF em Copenhague, expressou a expectativa de que voos transportando bens humanitários perecíveis, como vacinas, possam receber prioridade diante das restrições ao espaço aéreo.

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