O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) puniu o jogador Gustavo Marques do Bragantino com uma suspensão de 12 jogos por suas falas machistas contra a árbitra Daiane Muniz durante a derrota para o São Paulo no Campeonato Paulista.
A decisão foi divulgada na ata da sessão nesta quinta-feira, 5, após o julgamento realizado na quarta-feira, 4. Gustavo foi condenado por unanimidade com base nos artigos 243-G e 243-F, §1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Ele recebeu uma pena de oito partidas de suspensão pelo primeiro artigo e mais quatro pelo segundo.
A punição se aplica apenas a jogos de competições estaduais. Além disso, o zagueiro foi multado em R$ 30 mil. O Bragantino já havia imposto uma multa de 50% do salário do atleta pela fala machista e o retirou da partida contra o Athletico-PR no dia 25, pelo Campeonato Brasileiro. O valor da multa foi revertido à ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista.
O caso ocorreu em 21 de fevereiro, quando São Paulo e Bragantino se enfrentaram pelas quartas de final do Campeonato Paulista. Após a derrota por 2 a 1 em casa, Gustavo Marques criticou a atuação da árbitra Daiane Muniz. Ele afirmou: “Eu acho que a Federação Paulista tem que olhar para os jogos desse tamanho e não colocar uma mulher.”
Em entrevista, ele disse: “Primeiramente, eu quero falar da arbitragem porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. Era o sonho da gente chegar à semifinal ou até à final, mas ela acabou com o nosso jogo.”
Após a repercussão de suas declarações, Gustavo se retratou na zona mista. “Quero vir aqui a público para pedir perdão para todas as mulheres pela minha fala. Eu sei que eu sou ser humano, todo ser humano erra. Naquele momento, eu estava com a cabeça quente, estava nervoso, falei coisa que eu não deveria”, declarou.
Ele continuou: “Estou aqui para pedir perdão para todas as mulheres do Brasil, do mundo. Até minha mulher me xingou também já pela minha fala. Minha mãe também, todo mundo já me ligou, já falou que eu não deveria falar. Estou sendo homem, estou sendo ser humano de vir aqui pedir perdão pela minha fala.”
Gustavo também mencionou que pediu desculpas pessoalmente à árbitra e que ela aceitou seu perdão, alertando-o sobre a possibilidade de mulheres não aceitarem suas desculpas.

