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Saúde

Hábito de roer as unhas pode causar infecções graves e amputação

Amanda Rocha
Última atualização: 16 de março de 2026 16:57
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O hábito de roer as unhas, comum entre muitas pessoas desde a infância, pode acarretar riscos graves à saúde, conforme especialistas. O que parece ser uma mania inofensiva pode resultar em infecções que exigem intervenção cirúrgica e, em casos extremos, a perda de um dedo.

O médico Jefferson Braga Silva, especialista em cirurgia de mão e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, alerta que a boca é um ambiente altamente contaminado. Ao roer as unhas, a pessoa rompe a barreira protetora da pele e das estruturas que sustentam a unha, como a cutícula e o leito ungueal, permitindo a transferência de bactérias para o dedo.

“‘Quando você tira essa bactéria e coloca ela num outro meio, você acaba tendo um problema de infecção”, afirma Silva.”

A infecção pode rapidamente se agravar. Segundo o médico, a proximidade do osso com a extremidade distal do dedo facilita o desenvolvimento da infecção óssea, conhecida como osteomielite, especialmente se o tratamento adequado não for buscado a tempo. O tratamento da osteomielite é complexo, pois os antibióticos têm dificuldade de penetrar no osso, muitas vezes exigindo procedimentos como raspagem ou curetagem para remover o osso contaminado.

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O especialista enfatiza a importância de procurar ajuda médica ao menor sinal de problemas.

““Eu gostaria que as pessoas procurassem o cirurgião de mão antes de fugir do controle”, afirma Silva.”

Vermelhidão, calor e dor na região são considerados uma urgência médica.

““Ao menor sinal de vermelhidão, de calor e de dor, é considerado uma urgência médica, ou seja, esse paciente, essa pessoa, tem que procurar um serviço de emergência e solicitar um especialista em cirurgia de mão para que ele possa interromper esse agravamento ou essa evolução para uma infecção.””

Além da transferência de bactérias, o trauma constante na cutícula e na matriz da unha compromete a barreira de proteção natural. O médico explica que, ao roer a unha, estruturas como a cutícula ou o hiponíquio podem ser rompidas, permitindo a entrada de bactérias. As sequelas de uma infecção severa podem incluir a osteomielite e a necessidade de remoção do segmento infectado. Em casos mais graves, a unha pode nunca mais voltar a crescer se a infecção atingir a matriz ou o leito ungueal.

A gravidade desse hábito foi evidenciada por Gabby Swierzewski, que em fevereiro enfrentou uma infecção severa. Gabby, que roía as unhas desde a infância, viu um simples “unheiro” evoluir para uma infecção preocupante.

““Isso começou em 6 de fevereiro; inicialmente começou como um unheiro, e era extremamente doloroso”, contou ela.”

Seu dedo ficou “extremamente inchado” e, mesmo após antibióticos e drenagem, a infecção persistiu. No Dia dos Namorados, 14 de fevereiro, seu dedo ficou roxo e latejando, levando-a à emergência, onde médicos drenaram múltiplos abscessos. O caso foi tão grave que um especialista em mãos o descreveu como “o pior caso que ela já tinha visto” em alguém tão jovem.

Em 19 de fevereiro, Gabby passou por uma cirurgia de urgência para limpar a infecção, temendo que tivesse atingido o osso ou que pudesse perder a unha ou o dedo. Em 4 de março, médicos confirmaram que não seriam necessárias mais cirurgias ou amputações. A experiência transformou a percepção de Gabby sobre o hábito.

““É um tópico de conscientização muito importante e parece que muitas pessoas não sabiam que roer as unhas poderia causar um problema tão grande, incluindo eu mesma”, afirmou.”

Ela agora está mais consciente e determinada a abandonar o hábito.

TAGGED:amputaçãoGabby SwierzewskihábitosinfecçãoJefferson Braga SilvaSociedade Brasileira de Cirurgia da Mão
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