Haitiano retido em Viracopos expressa medo de retornar ao país em crise

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Sadrack Joseph, de 34 anos, foi um dos haitianos retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), após o pouso de um voo fretado da Aviatsa na manhã de quinta-feira (12). Ele estava acompanhado da mulher e do filho, e expressou seu ‘desespero’ ao temer retornar ao Haiti, que enfrenta uma grave crise humanitária.

O grupo de 118 passageiros haitianos permaneceu retido por cerca de dez horas dentro da aeronave e passou a noite em uma sala reservada do terminal. Após a liberação, Sadrack e sua família seguiram para Curitiba (PR) com a ajuda de um amigo, Mesguet Meus, que vive no Brasil há 13 anos.

“Estou muito feliz de estar no Brasil, um país que ouvi falar bastante”, disse Sadrack, que agora busca trabalhar e reconstruir sua vida. Mesguet Meus, que acolheu a família, compartilhou sua experiência: “Eu sou pedreiro, construí minha casa, tenho dois filhos nascidos aqui”.

Enquanto isso, uma ONG de Jundiaí (SP) se mobiliza para ajudar os refugiados. Sophia Nobre, da ONG, afirmou que prepararam um local de acolhimento para as famílias, com chalés individuais e refeições, para evitar que passem mais uma noite no aeroporto.

O Ministério das Relações Exteriores informou que 113 dos haitianos retidos apresentaram vistos eletrônicos falsificados, conforme repassado pela Polícia Federal. A companhia aérea, Aviatsa, afirmou que os passageiros buscavam solicitar refúgio ou proteção migratória no Brasil.

Além disso, a Polícia Federal liberou duas crianças haitianas com vistos regulares, que foram as primeiras a deixar o terminal. Elas estavam acompanhadas de uma tia, que também foi liberada e está com pedido de refúgio em processamento.

A situação no Haiti é crítica, com a ONU classificando-a como uma das crises humanitárias mais graves do mundo, marcada por violência de gangues e instabilidade política. A Aviatsa manifestou preocupação com os eventos ocorridos e repudia a forma como a situação foi conduzida pela Polícia Federal.

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