Heurelho Gomes, ex-goleiro da Seleção Brasileira e atualmente agente de futebol licenciado pela Fifa, discutiu a atuação dos agentes no futebol de base durante o programa CNN Esportes S/A, transmitido no domingo (8).
Gomes fez um alerta sobre a presença cada vez mais precoce de empresários no futebol, afirmando que a profissionalização está acontecendo cedo demais. Ele destacou que, no Brasil, as regras da CBF permitem que representantes assinem contratos com atletas apenas após o primeiro vínculo profissional, que pode ser assinado a partir dos 16 anos.
““A regra da CBF, você pode apenas assinar um contrato de representação com o atleta a partir do momento que ele assina o primeiro contrato profissional, ou seja, a partir dos 16 anos, se o atleta tem potencial, ele vai assinar o primeiro contrato profissional”, disse Gomes.”
O ex-goleiro ressaltou que o envolvimento de empresários no futebol de base ocorre cada vez mais cedo, o que ele considera prematuro. “Estão fazendo coisas com essas crianças, colocando uma responsabilidade até muito antes de realmente as coisas acontecerem”, afirmou.
Gomes sugeriu que o agente deveria entrar na carreira do atleta apenas no início do processo de formação, a partir dos 14 anos, quando o atleta faz o primeiro contrato de formação. Ele enfatizou a importância de uma orientação adequada para as famílias nesse momento.
““A família precisa ser bem orientada”, afirmou Gomes.”
Ele também observou que a situação financeira das famílias pode acelerar esse processo, mencionando que empresas fornecem material esportivo para jovens atletas, mesmo antes de um contrato formal. “Hoje os nossos atletas, de base, nós, quando não tem um contrato com uma fornecedora de material esportivo, a gente fornece o material para ele, porque é um instrumento de trabalho”, explicou.
Gomes destacou que a observação de talentos começa cada vez mais cedo, com empresas já fornecendo material para meninos de 12 anos, que podem se tornar grandes jogadores no futuro.
““Porque já olham naqueles atletas uma possibilidade de fazer um contrato promissor se ele virar um Ronaldo, por exemplo, um Ronaldinho Gaúcho, um Vinícius Júnior”, disse Gomes.”
Além disso, Gomes comentou sobre a Fifa retomar o controle do processo de licenciamento de agentes, que exige aprovação em uma prova extensa. Ele mencionou que a nova regra da Fifa proíbe negociações para quem não é licenciado.
““Hoje, a regra da Fifa é, se você não é licenciado, você não pode fazer uma negociação”, explicou.”
O programa CNN Esportes S/A, apresentado por João Vitor Xavier, chega à sua 130ª edição, abordando os bastidores de um mercado que movimenta bilhões no esporte.


