Com a nova edição do Big Brother Brasil em exibição, a história da criação da logo do reality volta a ser discutida. O designer Rogério Abreu, que desenvolveu a identidade visual, esclarece que não era um estagiário, mas um profissional recém-integrado à equipe da Globo.
Rogério, que possui mais de 20 anos de experiência na emissora, foi contratado no dia do atentado às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Seu primeiro desafio foi criar a logo para um reality que enfrentava dificuldades de aprovação com a licenciadora holandesa Endemol.
“O Hans reuniu a equipe e explicou que cinco propostas de veteranos já haviam sido rejeitadas. Os holandeses diziam que o que a Globo apresentava não traduzia a imagem do projeto”, conta Rogério. Ele recebeu um prazo de apenas um fim de semana para apresentar uma nova proposta.
Rogério decidiu usar o flat design, uma estética limpa e funcional, e criou a logo com uma lente tecnológica substituindo a letra “O” da palavra Brother. “Pensei: ‘Não vou fazer nada complexo, vou fazer uma parada simples’”, explica.
A aprovação da logo foi um marco na carreira de Rogério. Ele recorda o momento em que seu chefe, Hans Donner, chamou a equipe para anunciar a aprovação. “Eu estava pronto para receber um ‘vá embora’, mas foi uma festa: ‘Você conseguiu! Parabéns!’”, relata.
Originalmente, a logo foi concebida na cor laranja, mas Hans Donner preferiu que a Globo usasse o azul. “Ele condicionou que a marca seria aquela, mas que a Globo usaria o azul. Eu alterei as cores”, diz Rogério.
Em 2017, com a mudança de apresentador para Tiago Leifert, a logo foi novamente discutida. Leifert aprovou a proposta original em laranja, destacando que a cor era mais jovem e vibrante.
Atualmente, sob a apresentação de Tadeu Schmidt, a identidade visual do BBB é considerada icônica e é gerida como um organismo vivo. Rogério continua a trabalhar nas atualizações anuais, que ele chama de “maquiagem de marca”, com um plano de evolução de branding projetado para os próximos 50 anos.
Rogério Abreu também é professor na ESPM e autor do livro “Design na TV: pensando vinheta”, pela Editora Schoba.

