Um homem foi indiciado por importunação sexual nesta terça-feira (17) pela 15ª DP (Gávea) após ser filmado com a mão na área genital dentro de um ônibus na Zona Sul do Rio de Janeiro. Identificado como João Victor Raphael Freitas, ele confirmou ser o homem na filmagem, mas afirmou que só responderia se houve masturbação ou não em juízo.
A jovem que o denunciou relatou que ele colocou o órgão genital para fora da calça, mas cobriu com a camisa no momento em que foi filmado. Após o depoimento de João, a jovem expressou sua indignação nas redes sociais:
“”Hoje ele saiu da delegacia pela porta da frente, acompanhado de advogados, dizendo que ‘só fala em juízo’. Eu só espero por justiça. Porque muitas mulheres passam por situações assim todos os dias e, muitas vezes, ficam com medo de denunciar ou acham que nada vai acontecer. Que esse caso não seja apenas mais um”.”
O relatório de indiciamento foi enviado à Justiça. A delegada titular, Daniela Perra, pediu que outras possíveis vítimas do mesmo autor procurem a 15ª DP.
João também registrou na delegacia que recebeu ameaças após a divulgação de seu nome e endereço nas redes sociais, após o vídeo do assédio circular na internet. Ele afirmou que as ameaças incluíam seus familiares e, por isso, deixou seu bairro e se mudou para a Baixada Fluminense.
A jovem, de 18 anos, relatou que o assédio ocorreu no ônibus 565 (Tanque x Gávea) no fim da manhã do dia 10 de março. Ela postou um vídeo mostrando o homem se masturbando e escreveu:
“”Ele estava se masturbando e me olhando fixamente. Imediatamente, gravei o momento e desci do ônibus na passarela da Barra”.”
O vídeo teve mais de 700 mil visualizações em uma hora. Nos comentários, o homem foi identificado como aluno e funcionário da PUC-Rio. A universidade declarou que, caso o vínculo seja confirmado, tomará as medidas cabíveis.
“”A PUC-Rio condena todo e qualquer tipo de assédio e se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações”.”
A jovem relatou que estava na delegacia prestando queixa por volta das 18h30, e antes disso, a Polícia Civil informou que não havia registro de ocorrência. Ela contou que estava voltando para casa após sair da escola e notou a entrada de João no ônibus. Ele se sentou ao lado dela e, após perguntar as horas, começou a se tocar. A jovem decidiu gravar o momento e ficou com medo de represálias, contando com o apoio de amigas para expor a situação.
Outra mulher reconheceu João nas imagens e relatou ter passado por uma situação semelhante com ele. Ela contou que, há um ano, estava em um ônibus quando ele a assediou, mas não conseguiu gravar o ocorrido nem levou o caso à polícia. A defesa de João Victor informou que não tinha conhecimento dos fatos e que se manifestará em juízo após tomar ciência do caso.


