Um jovem de 23 anos foi preso por engano em Goiânia, em função de uma ordem de prisão em que os sobrenomes do verdadeiro alvo estavam trocados. Leonardo Cerqueira de Almeida ficou na penitenciária de Aparecida de Goiânia por 14 dias pelo crime de tráfico de drogas, sendo que o verdadeiro investigado era Leonardo de Almeida Cerqueira.
O auxiliar de montagem só conseguiu ser solto porque contou a sua situação a um colega de cela, que relatou para a sua advogada, Déborah Carolina Silva Pereira. Ao saber do caso, no dia 10 de março, ela verificou o caso pelo sistema da Justiça de Minas Gerais, responsável pela expedição do mandado de prisão, e constatou o erro.
““Ele fez um contrato de uma empreitada e aí ele estava fazendo montagem de um refrigerador. Acabou a empreitada, ele estava voltando pra casa”, detalhou a advogada.”
Leonardo foi preso por policiais militares na rodoviária de Goiânia quando voltava de Porto Alegre do Norte, no Mato Grosso, para casa, em Teodoro Sampaio, interior de São Paulo. Ao ser preso, ele alegou inocência e disse aos policiais que se tratava de um engano. Segundo a advogada, ele relatou que não lhe permitiram ligar para a família, um direito previsto na Constituição.
Sem advogado e sem nenhum familiar sabendo do caso, Leonardo foi ouvido na audiência de custódia acompanhado por um defensor público, que não percebeu o erro. A Defensoria Pública de Goiás afirmou que no mandado constavam o nome dele, além dos seus dados pessoais, todos confirmados por ele durante a audiência.
““Os presos zombaram, falando que lá todo mundo era inocente, como se eu estivesse mentindo”, disse Leonardo.”
Um dos colegas de cela acreditou na sua versão e, ao ter liberdade concedida pela Justiça, relatou o caso à sua advogada, no dia 10 de março. A mãe de Leonardo inicialmente não acreditou na história, achando que era um golpe, mas a advogada conseguiu convencê-la ao mostrar a foto de Leonardo.
Após comunicar à Justiça de Minas Gerais, o erro foi reconhecido e a ordem de soltura foi emitida. Déborah foi à penitenciária de Aparecida avisar a Leonardo sobre a decisão. “Quando eu cheguei, ele estava muito assustado. Falei ‘olha, eu já entrei com o pedido (de soltura) e o juiz já deferiu’. Aí, ele já começou a chorar”, relatou a advogada.
Leonardo descreveu os dias na prisão como “os piores da sua vida”. Ele afirmou:
““Eu cobro mais atenção. Porque ninguém deveria passar o que eu passei lá. Foi uma coisa muito chata. A sensação é extremamente ruim de a pessoa ir presa por algo que ela não fez.””
A advogada destacou que o caso poderia ter sido evitado por meio da Defensoria Pública. “O juiz de Goiânia não é competente para revogar essa prisão, mas se o defensor público tivesse dado atenção, com um olhar melhor, ele poderia ter verificado isso e ter agido”, afirmou.
O g1 procurou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais para se manifestar sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.


