Marcelo Rodrigues Miranda, de 45 anos, suspeito de assassinar a ex-companheira Ranielly Raissa Aparecida Silva, de 32 anos, foi solto pela Justiça em Uberlândia nove dias antes do crime, que ocorreu no dia 15 de março de 2026.
Ele havia deixado o sistema prisional em 6 de março após receber um alvará de soltura, conforme informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Marcelo estava preso por violência doméstica e foi condenado pela Vara de Violência Doméstica e Família da Comarca de Uberlândia, mas a sentença permitiu que ele recorresse em liberdade, estabelecendo o cumprimento da pena em regime aberto.
A decisão judicial considerou que a manutenção da prisão preventiva seria desproporcional e incompatível com o regime definido na condenação. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso tramita em segredo de Justiça e não pode divulgar mais informações sobre o processo.
Após o crime, Ranielly foi encontrada sem vida do lado de fora da casa, com ferimentos de faca. Marcelo fugiu levando o filho do ex-casal, um menino de seis anos, que foi localizado pela Polícia Civil cerca de 24 horas após o feminicídio. O agressor foi preso no final da tarde do dia 16 de março.
Uma vizinha relatou que a filha da vítima, uma menina de oito anos, pediu ajuda, afirmando que o ex-padrasto estava agredindo a mãe. Ao chegar à residência, a mulher encontrou Ranielly ferida, com cortes no pescoço, e pediu socorro. O irmão da vítima informou à Polícia Militar (PM) que o menino havia passado o fim de semana com o pai e que o crime ocorreu no momento em que ele seria devolvido à mãe.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que, por volta das 16h30, Marcelo chegou à casa da ex-companheira acompanhado do filho. Ele entrou na residência, enquanto o menino permaneceu na calçada. Minutos depois, o homem foi visto agredindo Ranielly, jogando-a no chão e desferindo vários golpes. O garoto presenciou a cena. Em seguida, Marcelo colocou o filho no carro e fugiu.
A vítima já tinha um histórico de violência doméstica praticada por Marcelo desde 2022. A PM informou que o caso foi acompanhado por uma equipe especializada em proteção à mulher, que ofereceu apoio à vítima. No entanto, Ranielly não compareceu à delegacia para solicitar medidas protetivas ou formalizar a representação criminal contra o agressor.
A Polícia Civil confirmou que, independentemente da representação da vítima, Marcelo tinha medidas protetivas que o impediam de se aproximar ou manter contato com ela. Testemunhas relataram que o homem já havia ameaçado matar Ranielly anteriormente. A Sejusp confirmou que Marcelo tem cinco passagens pelo sistema prisional desde março de 2016, com a mais recente ocorrendo entre 18 de outubro de 2025 e março de 2026, quando recebeu o alvará de soltura.
A perícia da Polícia Civil esteve no local do crime e constatou diversos ferimentos no pescoço, rosto e mãos da vítima. O corpo foi liberado ao Instituto Médico Legal (IML).

