Os hospitais públicos de Campinas (SP) enfrentam, nesta quarta-feira (11), uma superlotação de até 394%. Pacientes que buscam os pronto-socorros com quadros não urgentes têm sido orientados a procurar atendimento em outras unidades.
O governo estadual informou que está trabalhando na ampliação dos procedimentos e leitos na região, mantendo “diálogo contínuo” com a Prefeitura. O projeto do Hospital Metropolitano de Campinas está em fase final.
A administração municipal destacou que “nenhum paciente que precisa de internação na Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar fica sem assistência”.
Atualmente, a situação das unidades de saúde é a seguinte: no Hospital de Clínicas da Unicamp, as enfermarias e UTIs estão com 100% de ocupação, e o pronto-socorro apresenta 394% de ocupação, com 72 pacientes adultos. No Hospital PUC-Campinas, o pronto-socorro SUS tem 365% de ocupação, com 49 pacientes acomodados em macas nos corredores.
A Rede Mário Gatti, que inclui os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, apresenta ocupação entre 93% e 100%, mas todos os pacientes são atendidos, pois operam no sistema “porta aberta”.
Durante a manhã, a EPTV conversou com pacientes no Hospital de Clínicas da Unicamp. A doméstica Maria Tavares, que relatou dor forte na região lombar, não conseguiu atendimento e disse: “Eu vou voltar para o Mário Gatti porque eu não posso ir para casa desse jeito. A dor está terrível”.
Outro paciente, o jardineiro David Alexandre, também voltou frustrado após não conseguir atendimento. Ele afirmou: “Disseram que aqui não está atendendo, só no Mário Gatti, porém o Mário Gatti está superlotado”.
O autônomo Adriano dos Santos, que quebrou o braço, buscou atendimento na Unicamp e foi orientado a procurar outra unidade, acabando no Hospital Ouro Verde. “Espero que eles consigam me ajudar, porque não tem como você ficar andando para lá e para cá”, lamentou.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo anunciou que publicará um chamamento público para a contratação de 2.760 procedimentos mensais, com investimento mensal de R$ 4,2 milhões. Também está em fase final a contratação de 10 novos leitos de UTI em Pedreira.
A Prefeitura de Campinas informou que a ocupação dos leitos é variável, com cerca de 30 pacientes recebendo alta e outros 30 sendo admitidos diariamente. Atualmente, Campinas possui mais de 1 mil vagas, um aumento em relação aos 885 leitos disponíveis em 2021. Em 2025, a Prefeitura aplicou R$ 2,28 bilhões na área de saúde, representando 71,27% do valor direcionado para o setor.


