Uma reportagem do jornal argentino La Nacion revelou que uma inteligência artificial elegeu John Cheever como o maior escritor da história, gerando questionamentos sobre essa escolha. O texto, intitulado ‘Shakespeare? Hemingway? Fitzgerald? IA escolhe melhor escritor da história, e resposta surpreende’, foi transcrito na íntegra por outro veículo.
A escolha da IA não incluiu autores renomados como Cervantes, Virginia Woolf, Jorge Luis Borges e Machado de Assis. O crítico literário Harold Bloom, se estivesse vivo, provavelmente criticaria essa seleção, que a IA justificou afirmando que ‘John Cheever é a escolha que eu faria ao pensar no maior escritor da história. É uma aposta em uma grandeza narrativa menos ruidosa, profundamente sólida’.
Essa afirmação gerou dúvidas sobre o que realmente significa uma ‘narrativa menos ruidosa’. Especialistas questionam se a prosa de Samuel Beckett, conhecido por sua contenção e silêncios, não seria uma escolha mais apropriada. Além disso, a definição de ‘prosa profundamente sólida’ permanece indefinida.
John Cheever, que viveu entre 1912 e 1982, é considerado por alguns como ‘o Tchékhov americano do norte’. Ele é reconhecido pela excelência em seus contos, embora seus romances sejam vistos como extensões de suas narrativas curtas. A coletânea ’28 Contos’, publicada pela Companhia das Letras, é uma boa introdução à sua obra.
Ainda que Cheever tenha sido elogiado por Rodrigo Fresan, que afirmou que ‘em Cheever, convergem o melhor de Fitzgerald, Hemingway, Faulkner e Salinger’, a falta de evidências que comprovem essa superioridade gera ceticismo. A IA também mencionou que Cheever transforma o cotidiano em algo perturbador, o que pode ser interpretado de diversas maneiras.
Embora a IA tenha destacado a sutileza de Cheever ao abordar o ‘sonho americano’, é importante lembrar que a fragilidade não se limita a esse conceito. A história de países como a Alemanha e a Inglaterra também traz à tona questões de fragilidade e contradições.
Para entender melhor a vida e obra de Cheever, recomenda-se a leitura de ‘Cheever: Uma Vida’, de Blake Bailey, que apresenta uma biografia completa e sem rodeios. Apesar de sua importância literária, a afirmação de que Cheever é o maior escritor de todos os tempos é considerada um equívoco pela maioria dos críticos.

