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IA pode prever risco de doenças cardíacas a partir de mamografias, aponta estudo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A inteligência artificial (IA) pode prever o risco de doenças cardiovasculares em mulheres a partir de análises de mamografias, segundo um novo estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia publicado na revista científica European Heart Journal.

A pesquisa indica que a IA consegue avaliar o acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias da mama a partir de exames de raio-x, comumente utilizados para rastreamento de câncer. A calcificação arterial das mamas, frequentemente identificada em mamografias de rotina, não tem relação com tumores, mas está associada a fatores de risco cardiovascular e ao desenvolvimento futuro de doenças cardíacas.

De acordo com os pesquisadores, o uso de IA pode ajudar a reduzir o número de mulheres com doenças cardiovasculares não diagnosticadas e não tratadas. Hari Trivedi, pesquisador da Emory University e líder do estudo, afirmou: “Queríamos testar se a IA poderia usar essas informações para identificar mulheres em risco de doença cardiovascular, sem custo ou inconveniência adicional”.

O estudo envolveu 123.762 mulheres que participaram do rastreamento mamográfico e não tinham doenças cardiovasculares conhecidas. A IA analisou a quantidade de depósitos de cálcio nas artérias do tecido mamário, classificando a calcificação como grande, moderada, leve ou ausente. Essa categorização foi comparada com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves, como AVC e infarto, e com dados de mortalidade por doenças cardiovasculares.

Os resultados mostraram diferentes níveis de risco conforme o estágio de calcificação: mulheres com calcificação leve apresentaram 30% mais probabilidade de sofrer um evento cardiovascular grave; aquelas com calcificação moderada tiveram 70% mais risco; e mulheres com calcificação grande tiveram duas a três vezes mais chance de sofrer um evento cardiovascular grave.

“”Descobrimos que quanto mais cálcio visível nas artérias da mama em uma mamografia, maior o risco de a mulher sofrer um evento cardíaco grave, como infarto, AVC ou insuficiência cardíaca”, explicou Trivedi.”

O efeito foi observado inclusive em mulheres mais jovens, com menos de 50 anos, consideradas de baixo risco. A tendência se manteve mesmo ao considerar outros fatores de risco, como diabetes e tabagismo.

A técnica pode ser uma importante aliada no diagnóstico precoce de problemas cardiovasculares em mulheres, utilizando um exame já realizado rotineiramente. Os pesquisadores ressaltam que o método oferece uma maneira prática de identificar mulheres em risco cardiovascular que atualmente passam despercebidas. Para a integração da ferramenta de IA nos diagnósticos, é necessário incorporá-la aos fluxos de trabalho de imagem existentes e estabelecer meios de notificação para pacientes e médicos. O grupo também planeja realizar um ensaio clínico para testar novas etapas envolvendo a tecnologia.

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