O Ibovespa começou o pregão desta quinta-feira (05) em baixa, registrando 182.738 pontos. A queda reflete a reação dos investidores aos novos dados do mercado de trabalho brasileiro e à escalada das tensões no Oriente Médio.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, praticamente estável em relação ao período anterior, que terminou em outubro de 2025. O levantamento aponta que o Brasil soma cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, uma queda em relação aos 6,2 milhões do mesmo período do ano passado. A população ocupada alcançou 102,7 milhões de trabalhadores.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, comentou sobre os dados: “Acreditamos que o Copom deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, para 14,75%, levando os juros a 12,5% ao fim do ano”.
No mercado acionário, as ações dos grandes bancos abriram o dia em queda. Os papéis do Banco Bradesco lideravam as perdas, com recuo de 1,07%, seguidos pelo Banco Santander Brasil (-0,78%). Também apresentaram baixa os papéis do Itaú Unibanco (-0,42%) e do Banco do Brasil (-0,31%). Entre as varejistas, o desempenho foi misto, com as ações da Arezzo registrando a maior alta do setor, com avanço de 0,71%, seguidas pelos papéis da Americanas, que subiam 0,58%. Por outro lado, os ativos da Riachuelo caíam 0,62%, enquanto Magazine Luiza recuava 0,52%.
No câmbio, o dólar operava a R$ 5,24 às 11h20. Em Wall Street, os principais índices acionários mostravam desempenho positivo: o Dow Jones avançava 0,49%, o Nasdaq Composite subia 1,29% e o S&P 500 registrava alta de 0,78%.
João Kepler, CEO da Equity Group, afirmou que crises envolvendo grandes potências ou regiões estratégicas para o fornecimento de energia tendem a aumentar a volatilidade nos mercados. “Isso faz com que os investidores reduzam as posições em renda variável e busquem proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar”, disse.
Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência, destacou que o principal ponto a ser acompanhado nesta quinta-feira são os desdobramentos da guerra. “Uma das principais atenções é para como a cadeia de suprimento de petróleo vai reagir, mas também os possíveis impactos, como, por exemplo, tentar mensurar qual pode ser o impacto em viagens e entretenimento. Amanhã será um dia importante para dados econômicos nos Estados Unidos com a divulgação do dado de payroll”, explicou.

