Um novo relatório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) revela que 1.264 espécies da fauna brasileira estão ameaçadas de extinção. O estudo foi divulgado em 12 de março de 2026 e aponta que esse número representa 8,46% do total de 14.947 espécies avaliadas.
O documento apresenta análises de dois ciclos nacionais realizados entre 2009 e 2023, seguindo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Entre as espécies listadas, dez já são consideradas extintas, regionalmente extintas ou extintas apenas na natureza.
O ICMBio anunciou que a partir de agora o processo de avaliação das espécies ameaçadas será contínuo. Arthur Jorge Brant Caldas Pereira, coordenador do ICMBio, afirmou:
““A adoção da avaliação contínua tem o objetivo de gerenciar e direcionar melhor os esforços da equipe para as espécies em categorias de risco de extinção.””
Atualmente, o monitoramento das espécies ameaçadas é feito pelo sistema SALVE (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade). Embora o Brasil tenha avançado no mapeamento, o relatório indica lacunas nas estratégias de proteção. Das espécies ameaçadas identificadas, 74% fazem parte de Planos de Ação Nacional (PANs), mas 331 espécies em perigo ainda não estão incluídas em nenhum plano oficial de salvaguarda.
O relatório também destaca que 34% dos animais em risco vivem fora de Unidades de Conservação. Os principais fatores de ameaça à biodiversidade brasileira incluem a expansão agrícola e pecuária, urbanização e poluição, mineração, mudanças climáticas, e a caça e captura de animais.
A Mata Atlântica é o bioma com o maior número de espécies em risco, totalizando 661, seguida pelo Cerrado, com 339. Além disso, 79% das espécies ameaçadas são endêmicas, ou seja, existem apenas no Brasil.
O relatório apresenta os seguintes números: 14.947 espécies analisadas; 11.823 espécies reavaliadas; 1.264 espécies ameaçadas de extinção ou já extintas; 426 espécies ameaçadas não estão dentro de unidades de conservação; e 153 espécies não têm Plano de Ação Nacional de Conservação (PAN).
Os resultados detalhados do mapeamento podem ser consultados no site do SALVE/ICMBio.

