Idosa doou R$ 1,4 milhão a familiares por orientação de médium, diz investigação

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Uma mulher de 85 anos é investigada por ter doado R$ 1,4 milhão a sete pessoas de uma mesma família, supostamente sob orientação de seu genro, que é chefe de um centro espírita. O caso está sendo apurado pela Delegacia de Proteção ao Idoso de Fortaleza, no Ceará.

O médium, identificado pelas iniciais F. G., é acusado de usar sua influência religiosa para desviar milhões de reais dos sogros idosos, que são proprietários de uma empresa no setor imobiliário. Segundo as filhas da idosa, o casal teria feito uso do chá alucinógeno ayahuasca sob a orientação de F. G.

A denúncia foi apresentada por três das quatro filhas do casal. Elas relatam que F. G. teria convencido a sogra a realizar doações, alegando que os espíritos dos pais dos irmãos dela, que estão em litígio sobre a herança familiar, pediram ajuda financeira. Entre maio e junho de 2023, a idosa teria doado R$ 200 mil para cada um dos sete irmãos.

““Ela fez a doação conscientemente após F.G. contar que as pessoas passavam dificuldades financeiras e enfrentavam doenças”, disseram as filhas.”

F. G. negou ter influenciado as doações. Ele é descrito como guru espiritual e presidente de um centro espírita frequentado pelo casal de idosos. Entre os espíritos que ele teria incorporado estão figuras conhecidas como Napoleão Bonaparte e Ayrton Senna.

A Delegacia de Proteção ao Idoso indiciou F. G. em agosto de 2025, e o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Ceará, que solicitou mais investigações. As filhas afirmam que F. G. afastou elas dos pais e que uma medida protetiva impede sua aproximação.

Além das doações, as filhas relatam que cerca de R$ 5 milhões sumiram da conta bancária da mãe. As transações suspeitas incluem a doação de R$ 1,4 milhão e transferências de R$ 70 mil e R$ 66 mil para contas ligadas a F. G.

O vínculo de F. G. com a família começou em 1998, quando o sogro o conheceu no centro espírita. Ele se casou com a filha mais velha do casal em 2007, e as filhas relatam que os problemas financeiros começaram a surgir logo após sua entrada na família.

F. G. também é acusado de manipulação, pois teria influenciado o sogro a tomar decisões financeiras no centro espírita. Ele tinha acesso às contas bancárias da sogra e às senhas dos cartões de crédito.

As filhas afirmam que o comportamento da mãe mudou após o início da relação de F. G. com ela, e que o pai, diagnosticado com Alzheimer, passou a depender cada vez mais de F. G. para decisões financeiras.

F. G. afirmou à polícia que as mensagens espirituais que seu sogro recebia eram positivas e incentivavam a caridade, negando que tenha orientado os idosos a fazer doações para ele ou para familiares.

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